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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Bem vindos os convidados para a ceia do Senhor


É desagradavelmente interessante como nós lemos muito pouco a Bíblia.

É, sobretudo perigoso, a forma como absorvemos tudo o que nos falam(pregam) e a facilidade com que reproduzimos tudo isso sem analisarmos.

Na maioria das igrejas evangélicas que eu já tive a oportunidade de presenciar ou participar da santa ceia do Senhor, percebi algo que a meu ver, é uma grande distorção do que Paulo disse à igreja de Corinto na sua primeira carta, no capítulo 11.

Paulo chama a atenção, sobre a má conduta dos coríntios na celebração da ceia do Senhor. O texto mostra que existia uma total falta de comunhão entre os irmãos. Acentuada principalmente, pela diferença social. Os mais abastados desprezavam os mais necessitados que não podiam ou menos contribuíam com a ceia. A ceia da época, era realizada com grande fartura de pão e vinho, diferentemente da forma com que a celebramos hoje em dia. Os mais ricos, levavam seu vinho e seu pão, e sem esperar pelos demais, comiam e se embebedavam sem o menor pesar pelos mais pobres.

Ora, Paulo vendo isso, não precisou de nenhuma revelação para constatar que não havia ali, menção ao nome de Cristo, quanto mais ao seu corpo e sangue. Não havia ali, espírito fraterno, espírito de adoção. Não havia ali espírito de comunhão, e por isso, não havia ali espírito de Igreja. Não havia ali, discernimento (entendimento, menção, reverência, referência) do corpo e do sangue do Senhor.

Eles estavam fazendo da ceia do Senhor, um acontecimento de comilança e bebedeira.

Paulo então, é categórico:

Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.

Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR.

Apesar de ser claro que a condenação virá para aqueles que ceiam, sem discernir o corpo do Senhor, ou seja, sem vivenciar, sem entender que a ceia trata-se da representação do sangue e do corpo do Cristo Jesus, o que vemos hoje em dia, é o apartar da ceia do Senhor não mais por diferenças econômicas, mas sim, por diferenças de santidade. Hoje vemos que pessoas disciplinadas em suas igrejas, ou simplesmente “em pecado” (como se fosse possível encontrar alguém sem pecado), não podem participar da ceia do Senhor. Nisto observo diversos males, dentre eles:

A contínua valorização da culpa nos ombros do pecador;

A herança da necessidade de penitência, existente no catolicismo, para sermos “restaurados”. Com isso, atrofiamos o desenvolver do arrependimento, posto que somos supostamente disciplinados com a “não comunhão” com a igreja na ceia do Senhor.

Pergunto-me, quem em sã consciência poderia impedir alguém consciente, que discerne o corpo e o sangue de Jesus, de participar da santa ceia do Senhor? Não é por ventura mais importante ainda para o pecador que participe da ceia, posto que esta representa a carne do cordeiro pascal de Deus e o sangue purificador derramado na cruz ao nosso favor? (Nosso - PECADORES - Todos nós)

Infelizmente, isto ocorre por não lermos e meditarmos no que ensina a Bíblia. Mas temos que começar toda e qualquer mudança em nós mesmos. Importa que cada um tenha a sua comunhão/meditação diária. Temos que executar a mudança primeiro em nós para não nos tornarmos meros hipócritas. Como diz o pernambucano Junior Calado: “Resolver meu problema é fácil, quero ver tu resolver o teu!”

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Prefiro um amasso bacana!!!


"O carro pára no acostamento da rodovia. A passageira interroga se o combustível acabou. O motorista abre a porta do passageiro com violência e impaciência dizendo:
- Ou dá ou desce!
- Não rola ficarmos apenas num amasso bacana??
Pergunta a mocinha pressionada."

Em geral, o "meio termo" é considerado uma fraqueza, uma falta de posicionamento. Provavelmente isso é decorrente da utilização exagerada de Apocalipse 3:16.

Nos mares psicológicos, o meio termo geralmente, é tido como sinal de equilibrio, condição emocional posta como ideal.

No terreno intelectual, esta neutralidade é tida como segura, demonstra isenção analítica e até, pode-se atribuir ao ser neutro, a posse de uma mente "aberta" às possibilidades.

Já nos ares espirituais, temos alguns embates. As diversas mitologias, desde cedo presentes no incosciente coletivo, regadas por construções de lendas, supertições e muitos desenhos animados, fixaram na mente humana duas forças bem definidas, que agem de forma combativa desde o que se entende por origem: O Bem e o Mal, Deus e o diabo.

Com a expanção do cristianismo e as suas diversas ramificações e denominações, introduziu-se um novo componente bastante atuante e controverso que rematou a tríade: O homem.

Muito das diversas manifestações, experiências e milagres que não eram atribuídos ao poderio do Bem (Deus), deixaram de ser imputadas à força contrária (diabo, mal), sendo arrogados às próprias pessoas que as propagam.

Isso tem gerado grande ruído na comunidade cristã, onde os exegetas concorrem quanto a veracidade, validade e origem das experiências. De um lado, faz-se uso da rejeição ao desconhecido, ao não interpretado e até, ao sem propósito aparente. Do outro lado, questiona-se a frieza espiritual dos contestadores, sua incapacidade de discernimento e incrédulidade. De ambos os lados, são levantadas bandeiras de "guardadores" de Deus. Ambos, atribuem uma fatídica destinação aos opositores, desqualificando-os como lobos, aproveitadores, cegos, mortos espirituais, hereges, usurpadores e ou simplesmente, foras da visão.

Enquanto a mim? Qual é meu posicionamento? Bom, não acredito na excelência das generalidades. Cada caso e circunstância devem ser vistos como únicos, medidos com suporte bíblico e discernimento espiritual. Contudo, nem sempre essas ferramentas nos capacitam a atestar tais manifestações com certeza absoluta, posto que:

- Se (este "se" é apenas provocativo) Deus é mesmo vivo, nem mil Bíblias poderiam comporta-Lo;

- O discernimento espiritual não é uma virtude humana (constante), pois confundi-se com o discernimento do próprio coração, onde se misturam os gostos e (pré)conceitos.

Nos exemplos bíblicos que percorrem todo o novo testamento, vemos que os perseguidores de Jesus e dos apóstolos, que mesmo presenciando manifestações inconstestáveis pela cristandade atual, negaram que tais feitos viessem da parte de Deus. Outros, creram apenas devido aos milagres presenciados. Opondo-se a isto, temos também, os exemplos de pessoas que tentaram usurpar dos dons de Deus, pondo inclusive, preço nos mesmos. Vemos ainda, manifestações supostamente boas, que eram na verdade, alardes de demônios.

O discernimento espiritual é um dom excelente de Deus, o qual apesar de Paulo (e a Lívia) dizer ser inerente a todo cristão (que busca o aperfeiçoamento), penso eu, que seja privilégio de alguns. (Pelo menos no uso).

Deixando então de miar em torno do prato de leite, reafirmo que cada caso é ímpar e que necessita de observância individual. Atualmente, vemos pessoas sem o discernimento necessário (Ops! Como posso afirmar isso?!), julgando manifestações apenas por não conseguir associa-las a um propósito entendível de Deus, como também temos malucos, surtando pelo anseio transbordante de fama, poder e dinheiro (composição destorcida da prosperidade)(Ops! Como posso afirmar isso?!). Outro caso, é o da experiência verdadeira, mas vivida com o exagero da alma da pessoa, o que leva a muitos à descrença (Ops! Como posso afirmar isso?!). Não isentando ainda, situações que realmente devem ser atribuídas ao diabo.

O grande ponto divergente na cristandade, está justamente na pontuação de cada um dos casos acima citados.

Vale finalizar dizendo que mesmo com ou sem o discernimento, acredito na escolha (livre arbítrio). Nós optamos em acreditar ou não em algo.

"Propositalmente, não abordei os posicionamentos nos âmbitos sociais. De relacionamento, gostos e preferências, caráter e etc. O texto se estenderia demais. Entre outras coisas, eu teria que abordar o meu velho e "bom" Flamengo. E apesar do 5 x 0 que "sofremos" no último domingo, eu não aceitaria escárnio a respeito!!!"