
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A sede e a Água

quarta-feira, 22 de julho de 2009
Ariovaldo Ramos - Serviço ao próximo
É o jeito!
2 E, eis que veio um leproso...
Os leprosos tinham de gritar: leproso! Enquanto passavam. Caso não o fizessem, e fossem denunciados, seriam apedrejados, por atentado à saúde pública. Ele aproximou-se de Jesus sem se anunciar demonstrando crer que Jesus era confiável e não o denunciaria. E estava certo! Jesus é confiável, qualquer pessoa pode se aproximar dele sem medo de ser exposto. Ele aceita as pessoas sem pré-condições. O ser humano basta por existir. Todo mundo devia ser assim: aceitar o outro pelo simples fato de ser humano. e o adorou, Jesus provocava ímpetos de adoração, e o Leproso o adorou, postando-se de joelhos diante dele. E estava certo! Jesus é para ser adorado! Esse é o jeito certo de se aproximar do Cristo! dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. Esse é o jeito certo de pedir qualquer coisa a Jesus: dando-lhe a prerrogativa da decisão: se quer ou não. A questão não se ele pode ou não, mas se é da vontade dele fazer ou não. Ele é o Senhor! Mas, e se Jesus não quiser fazê-lo? Jesus nos aceita sem pré-condições. E nós? Aceitamos Jesus no seu senhorio? Mesmo quando ele diz não?
3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-o...
Jesus tocou o intocável! Tê-lo recebido já era um marco,abraçá-lo, uma cura! E é isso o que Cristo faz: nos recebe e nos salva! E é o que devemos celebrar! Tudo mais é se Deus quiser, essencial é a salvação! dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra. Jesus queria. curá-lo, e o fez, mas podia não fazê-lo. Assim como Jesus nos aceita incondicionalmente, temos de aceitar o seu senhorio.
4 Disse-lhe então Jesus: Olha, não o digas a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.
Jesus devolve o homem a sociedade. Manda-o cumprir o ritual que o declara apto a viver ent re todos. Ele está pronto para ocupar o seu lugar e o seu serviço à comunidade. É para o que somos salvos para o serviço ao próximo.
[Reverberado]
Fonte: Irmãos.com
domingo, 14 de junho de 2009
Os pés e os calcanhares do Corpo de Cristo
As palavras de Jesus “Este é o meu corpo...isto é o meu sangue...fazei isto em memória de mim” tem diferentes interpretações e seja qual for a leitura liturgica daquele fato histórico, o que importa é que estamos falando da mais importante celebração dos Cristãos.
O apóstolo João descreve com detalhes as palavras de Jesus na insituição da Ceia do Senhor, é um dos maiores e mais intimista de todos os ensinos do Mestre.
Ao meditar sobre o Corpo de Cristo eu desejo enfocar os seus pés antes, durante e após a sua ressurreição.
Na última semana de Jesus nós encontramos quatro importantes referências sobre pés humanos, a unção dos pés de Jesus por Maria em Bethania, a limpeza dos pés dos discípulos no Cenáculo, o calcanhar de Judas se levantado e os seus pés rasgados e pregados na Cruz.
Antes de ser preso e ser torturado até a morte, ao anoitecer da quinta-feira ele reserva aos seus amigos momentos cheios ternura, encorajamento e ensino e Ele começa lavando os seus pés.
Na mitologia grega, Hermes que também é o protetor dos ladrões, tinha asas nos pés; entre os hindus uma casta de seres humanos são chamados e tratados como imundos, pois são a poeira dos pés de Brahma; na mitologia nórdica, a vingativa e mal humorada deusa da caça Skadi só pode escolher o seu esposo olhando somente os pés dos pretendentes e ao ver um belo par de pés escolheu a Njord pensando ser Balder, o deus amado por todas as coisas da criação.
Ainda pensando nos pés dos deuses e figuras mitológicas, não nos esqueçamos de Édipo o menino de “pés inchados”, cujos pés simbolizam a fraqueza dos caminhantes da vida, Aquiles com o seu calcanhar só vem reforçar a simbologia de fragilidade humana que os pés trazem.
Homero afirmava que a deusa Ate tinha os pés delicados e que jamais tocavam no solo, mas andava sobre a cabeça dos homens.
Mas, no cenáculo em Jerusalém acontece uma cena em que o Deus dos cristão suja as mãos com a poeira dos pés dos seus discípulos.
Por isso que São Paulo ao escrever aos cristãos de Filipos diz que embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!
No Oriente, lavar os pés era um obséquio aos estranhos e hóspedes que estavam de viagem. E isso só era feito pelos mais simples serviçais.
Em determinado momento, enquanto os discípulos discutiam entre eles para saberem quem era o maior – quem seria o primeiro ou segundo vice do Reino - Jesus se levanta, tira a sua capa que é sinal de autoridade e com o dorso nu, amarra uma toalha na cintura, derrama água numa bacia e começa a lavar os pés dos candidatos ao poder.
A lição de serviço abnegado e de humildade está bem claro naquele momento, mas imaginem a cena, Jesus lava os pés de cada um daqueles que Ele amou até o fim e que em poucas horas, um levantaria o calcanhar traindo-o, outro o negaria e os demais sumiriam deixando-o só no seu pior momento.
Jesus sabe que os nossos pés são frágeis, se machucam e ficam empoeirados e até hoje são poucos os cristãos que entenderam o que aconteceu naquela noite.
O lava-pés é a melhor alegoria da Regra de Ouro que as maiores religiões do mundo ensinam e que Cristo deu a ela uma forma positiva: Façam aos outros aquilo que vocês querem que eles façam por vocês!
Só compreenderemos a santificação cristã quando começarmos a nos despir e curvarmos até o chão para lavar os pés dos nossos irmãos – que como os nossos – são suscetíveis às sujeiras e ferimentos da jornada da vida.
Os discípulos de Jesus não excluem niguém da mesa mandando-o tomar um banho disciplinador e penitente. (em alguns casos corrosivos e deformadores)
Os discípulos de Jesus são pessoas conscientes de que são uns “pés sujos” e devem passar a vida toda lavando os pés uns dos outros.
Infelizmente, nós somos uma geração de cristãos que ainda prefere lavar as próprias mãos nas águas da covardia permitindo crucificações a ter a coragem de sujar as mãos lavando os pés para que ninguém fique de fora da ceia, da comunhão e do legado do Senhor Jesus.
Quem vive lavando as mãos como Pilatos não tem os pés formosos, pés assim não anunciam as Boas Novas e são os novos calcanhares levantados contra o Corpo de Cristo.
As mãos mais limpas são aquelas que vivem lavando os pés dos seus irmãos e reconhecendo os seus calcanhares de Aquiles.
Levi Araújo
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Servir: privilégio de poucos
Para servir é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer “o trabalho sujo”, enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior. Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre, sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que ás custas de prejuízos e danos pessoais.
Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem ninguém causa decepção suficiente para que o serviço seja abandonado. Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para gente parecida com Jesus. Servir é para muito pouca gente.
A comunidade cristã – a Igreja, pode e deve ser vista, portanto, como uma escola de servos. Uma escola onde aprendemos que somos portadores do dna de Deus, dignidade que ninguém nos pode tirar. Uma escola onde aprendemos que, por mais desfigurado que esteja, todo ser humano carrega a imagem de Deus. Uma escola onde aprendemos a amar, e descobrimos que, se “não existe amor sem dor”, jamais se ama em vão. Uma escola onde aprendemos que “mais bem aventurada coisa é dar do que receber”.
Servir é mesmo privilégio de poucos. De minha parte, preferiria ser servido. Mas aí teria de abrir de mão do reino de Deus. Teria de abrir mão de desfrutar do melhor de mim mesmo. Teria de abrir mão de você. Definitivamente, me custaria muito caro. Nesse caso, continuo na escola.
© 2008 Ed René Kivitz