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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Diário de Bordo: Caruaru-Pe

Relatório do primeiro período em Caruaru:

Em 15 de agosto de 2010, partimos “de mala e cuia” de Valparaiso de Goiás – GO, rumo à Caruaru – PE. Sabíamos que seria um tempo novo de muito aprendizado, tempo este, necessário para o nosso crescimento espiritual. Isto era, basicamente, tudo o que sabíamos. Apesar de muitos considerarem essa decisão um grande passo (e realmente foi), para nós o sentimento era parecido com o da águia, “daquela” estória de renovação, sabe qual é?! Sentíamos que por mais que tudo parecesse incerto e doído, era algo que tínhamos que fazer em fé, obediência e sobre tudo, para nossa própria sobrevivência. Então, como egoístas que somos (risos), nos lançamos!!! Em busca de aprender, crescer, renascer e tudo mais que Deus quisesse fazer.

Nossa mudança foi enviada cerca de 20 dias antes de embarcarmos, durante esse período que ficamos sem nossas coisas, fomos acolhidos e suportados por nossos queridos familiares: Ana Paula, Marcelo e Davi.

Quando chegamos em Caruaru, os amigos Fabio e Marcela nos hospedaram por quase 30 dias, até encontrarmos nosso lar atual. Foram dias muito gostosos, pois o casal além de nos levar aos melhores lugares da cidade, onde degustávamos sempre da boa culinária nordestina, também nos acolheu muito confortavelmente, nos deixando sempre bem a vontade em sua residência. Sempre solícitos, também nos auxiliaram na procura de uma casa para morarmos, e graças ao auxílio do pr. Eraldo, conseguimos uma ótima casa, em um bairro também ótimo, o que eu só compreendi meses depois, pois a princípio, parecia apenas bom.

Tudo era novo e trazia estranhamento, foram assim nos primeiros 6 meses em Caruaru, vivemos muitos estranhamentos: Estranhamento da cultura, do sotaque, do local, da água, da estrutura da cidade, das pessoas, do trânsito, enfim, meses difíceis de meditação e oração, esperando que Deus nos mostrasse o que Ele queria de nós aqui. Confesso que nesses primeiros meses chegamos a pensar que tínhamos entendido algo errado, mas esse período nos trouxe muitas lições, sobre tudo para mim como esposa, aprendendo a confiar no trabalhar de Deus, confiar no tempo de Deus e em sua provisão, confiar também no que Ele estava e está fazendo em meu esposo. Estamos aprendendo a amar e a servir em amor, apesar das diferenças. Nossos amigos Rafa e Mari também foram muito importantes, nos auxiliando nesse primeiro momento de adaptação em Caruaru.

Foi em meio a essa busca que Deus nos deu, mais precisamente ao Mano, o entendimento de que a falta de “ferramentas” não devia ser empecilho para o que Deus estava colocando em nossos corações para fazermos, por exemplo: Podíamos dar aulas de informática e auxiliar nos cultos das congregações que estão se formando nas áreas rurais de Caruaru (apoiando o trabalho realizado pela Igreja de Deus no Brasil), contudo não tínhamos e ainda não temos carro ou moto, nem mesmo os computadores para as aulas. Foi quando Deus nos despertou para trabalharmos com as ferramentas disponíveis: Próximo a nossa casa tem uma praça, onde ficam ao final do dia, varias crianças, adolescentes, adultos e idosos. Em frente à praça têm alguns comércios, uma padaria e duas lan-houses. O Mano então percebeu que poderia utilizar a estrutura física da lan-house para realizar o projeto social das aulas de informática, não só levando a aprendizagem, como também, realizando uma aproximação com a comunidade procurando oportunidades de compartilhar valores do evangelho.

A princípio os donos da lan-house estranharam e até suspeitaram muito dessas “Aulas de Graça?” Mas aos poucos, conforme iniciaram as aulas, eles foram entendo o trabalho, conhecendo melhor ao Mano que conseguiu conquistar a confiança deles.

Paralelamente a esse trabalho, através do Projeto Macedônia, iniciamos o apoio à Missão Coração Nordestino (pr. Eraldo), eu auxiliando o ev. Fabio e sua esposa, na congregação da Igreja de Deus no Brasil, na vila Juá, área rural de Caruaru; e o Mano em outro projeto social de aulas de informática, em parceria também com a Igreja de Deus no Brasil (Pr. Jota e Irmã Nerêz), realizado no bairro José Carlos de Oliveira, aqui em Caruaru. Conhecemos também o pr. Sérvulo, sua esposa Luciana e o seu filho Gabriel, uma família que havia chegado de mudança em Caruaru um mês antes de nós, vindos de Biritiba Mirim - SP, enviados pela Igreja Presbiteriana da Graça. Foi um presente providencial de Deus conhecê-los, pois nós queríamos nos dedicar mais aos trabalhos sociais nas áreas empobrecidas da cidade e eles estavam justamente precisando de ajudantes na APG (Associação Presbiteriana da Graça), que realiza um trabalho de reforço escolar para crianças de 7 a 12 anos na comunidade do Cipó.

Bom agora que os caminhos estavam sinalizados, era arregaçar as mangas e trabalhar. Foi e tem sido como pensávamos: Uma grande aprendizagem! Pois mesmo estando com 5 pequenas turmas de informática, o tempo que o Mano levou para forma-las no primeiro módulo foi maior que o esperado, pois em todas as turmas ele encontrou problemas de aprendizado não previstos como dificuldade de leitura e interpretação de texto, sem falar na deficiência em realizar contas simples de multiplicação. O Mano como bom professor que é, não facilitou, cuidou para que todos os alunos aprendessem o primeiro módulo, mesmo que isso levasse mais tempo. Nas aulas de reforço escolar o que eu e Luciana encontramos não foi muito diferente, ficou comum encontrarmos crianças da 5° série que não conseguem interpretar um texto, o que aumenta o nosso desafio. Apesar das dificuldades, tudo tem sido muito gratificante, uma experiência incrível, não tem como não nos envolvermos com as crianças, não tem com não amá-las.

Quanto aos trabalhos no Juá, estamos felizes, pois Deus tem dado graça e tem nos abençoado com muitos irmãos para auxiliar nos evangelismos, nas visitas, nos cultos e as reuniões com as mulheres tem crescido cada vez mais.

Hoje compreendemos o quanto somos privilegiados (outro aprendizado aqui), pois para todos os trabalhos distantes que não teríamos como ir, os irmãos nos buscam e nos deixam na porta de casa (isso é um privilégio), nossa casa está a 15 minutos do centro, o que facilita muito os acessos (outro privilégio), nosso aluguel tem um valor diferenciado do padrão do mercado, (privilégio), hoje trabalhamos de forma freelance, com certa liberdade de dias e horários (privilégio), nossa! Acho que poderíamos listar vários privilégios que Deus tem nos proporcionado, somos GRATOS e CONSTRANGIDOS com tanto ZÊLO, CUIDADO, GRAÇA e AMOR não merecidos, dispensados pelo PAI a nós.

Terminamos o ano de 2011, com o sentimento de dever cumprido, mas conscientes de que é só o começo, agora em março de 2012 daremos continuidade a estes trabalhos, há também outros desafios surgindo, irei compartilha-los em uma próxima oportunidade.

Peço que orem para que nesse ano possamos receber de Deus uma estratégia para realizarmos um evangelismo de forma efetiva com os meninos e meninas dos projetos sociais; pelas mães e crianças na Vila Cipó; pelas congregações implantadas nas áreas rurais, sobre tudo, pelos irmãos e irmãs do Juá; pela igreja no bairro José Carlos de Oliveira; pelos pr. Sérvulo, sua esposa Luciana e seu filho Gabriel; pelo ev. Fabio e sua esposa Marcela; pelo Projeto Macedônia seus missionários parceiros e também por nós, para que estejamos atentos ao que Deus deseja de nós, e que possamos a cada dia caminhar em obediência (com alegria), submissão (com fé) e amor (sincero).

Espero ter passado para vocês um pouco do nosso primeiro período aqui, espero no próximo compartilhar com vocês outras tantas bênçãos e aprendizados dessa nossa temporada e caminhada em Caruaru.

Somos gratos a Deus pelas privações, provisões e privilégios por tantas bênçãos que nem sei contar.

Nós te agradecemos Senhor.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Conhecendo a si em Deus para poder respeitar o outro em Deus - 1 ano de Caruaru

Dia 15 de agosto fez um ano que iniciamos nossa jornada de aprendizado em Caruaru.

Ao longo desse ano, mesmo percebendo que existe muito percurso a ser trilhado, nós percebemos também que algumas verdades preciosas já nos foram reveladas pelo Pai. 

Uma delas é que devemos sempre manter o foco no que fomos chamados por Deus a fazer. Tão difícil quanto obedecer a voz do Pai é manter a direção apenas no que Ele nos diz. É justamente por querermos incremetar a ordenança do Espírito Santo que nos perdemos no processo e fazemos da missão um fardo e, consequentemente, um fracasso.

Ao virmos para Caruaru, a única direção que entendemos da parte do Senhor foi: Vão para aprender. Por isso, estamos tentando nos manter nesse "lado da pista" apenas, mesmo que muitos não entendam, mesmo que muitos esperassem de nós mais participação (até em questões que distoam do nosso chamado). A nossa consciência e fé caminham de forma firme, calando de nossas mentes as demais vozes para que só haja espaço de reverbero para a Voz da Verdade.

Sendo honestos com nós mesmos, quando o Senhor nos falou em aprendizado, só tivemos a definição do lugar, Caruaru - PE. Não nos foi permitido discernir nem sequer com quem aprenderíamos, apesar de que em nossas mentes, já tínhamos definidos os agentes desse labor. E, mesmo que tenha sido com a melhor das intenções de nossos corações, pecamos ao definirmos para nós, questões que o nosso Senhor tinha deixado em aberto, pois de fato, através dEle, estamos aprendendo com tudo e com todos. Ao caminhar junto, ao observar de perto e de longe e até ao discordar.

Um dos grandes aprendizados que temos tido é o de entendermos quem somos e para o que fomos chamados. Eu, desde criança, sempre tive os olhos voltados para questões sociais e desigualdades em geral, e por isso, ao adentrar nas fileiras evangélicas, esperava e cobrava um posicionamento mais social por parte da igreja. A Lívia tem dentro de si, todas as características maternais que uma boa mãe deve ter, consequentemente, seu chamado pastoral é gritante e transbordante, o que a faz ser observadora quanto aos pastores que não exercem o pastoreio devidamente. Essa cobrança sempre foi um fator de conflito dentro de nós, pois assim como os demais, esperavamos que todos se identificassem com o nosso chamado e que também fizessem dele sua prioridade. Hoje entendemos que esta cobrança, da nossa parte, além de infantil era fruto de um total desconhecimento pessoal, o que nos levava ao desconhecimento do outro. Pois da mesma forma que nós cobravamos certas posturas, eramos cobrados para atuar em questões que não só não tinhamos talento ou dom, mas também, questões que eram conduzidas de maneira que discordavamos absurdamente.

O descobrimento de quem se é em Deus e para o que foi chamado na obra dEle é libertador, pois o excesso de trabalho deixa de ser um peso quando exercido dentro dos seus dons e talentos e por consequência, ao percebermos para que o outro foi chamado, aprendemos a não cobrar dele uma aptdão que não lhe é natural. Ora, o que é a igreja senão o corpo de Cristo onde os diversos membros executam funções específicas e diversas?! O entendimento não mais é o de apontar as faltas de determinados pastores, mas sim, de preencher as lacunas deixadas por estes, cooperando para a boa obra de Deus.

De certo que há questões pertencentes a todos os cristãos. De certo também, que existem afazeres que podem e devem ser aprendidos durante a sua jornada na terra em prol do Reino de Deus, contudo, ao olharmos para um irmão transbordante do dom da caridade e se o deixarmos livre para o exercício desse ministério, sem cobra-lo de deveres burocráticos, deixando esses deveres ao encargo de quem tem mais preparo e desenvoltura e da mesma forma que, se esse irmão sendo um líder na igreja, tiver a humildade de se reconhecer inapto e delegar tais atividades para outros mais competentes, estaríamos fazendo uma excelente leitura do bom exercício das diversas funções na igreja.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A igreja contribuindo com a formação integral do ser humano

Uma das manifestações do Reino de Deus na terra deve ser a equidade social e a igualdade de oportunidades entre todas as camadas da sociedade. Para experimentarmos tal realidade, é necessário no mínimo, que todos tenham acesso aos mesmos recursos de aprendizado.

Crianças e adolescentes da primeira turma de inclusão digital

O conhecimento em informática é um grande instrumento nessa caminhada para o equilíbrio de perspectivas. A Igreja pode e deve entrepor-se nesta lacuna, auxiliando a comunidade que a cerca, servindo-a com os instrumentos necessários.

Um bom exemplo disso é o que está acontecendo na periferia da cidade de Caruaru – PE, no bairro José Carlos de Oliveira. Uma pequena igreja, da denominação Igreja de Deus no Brasil, separou um espaço e duas máquinas, onde aos sábados, está sendo ministrado um curso básico de informática para os congregados e aberto também para a comunidade.

O projeto tem co-parceiria com a Missão Coração Nordestino, que além de ter emprestado mais 4 máquinas para as aulas, fez o contato conosco do Projeto Macedônia, para assumirmos a ministração das aulas.

Esse projeto trás alguns "efeitos colaterais" muito benéficos para o relacionamento da igreja com a comunidade, dentre eles, a quebra de estereótipos e preconceitos existentes, o que permite uma maior aproximação e empatia com as pessoas. Outro fator positivo e não previsto que ocorreu, foi a doação espontânea de lanche para os alunos por parte de um empresário local, que mesmo não fazendo parte da igreja quis colaborar.

O trabalho conta ainda, com a impressão gratuita de todas as apostilas, impressas pelo Fabio, um dos idealizadores do projeto e também professor, membro da Missão Coração Nordestino.

O curso está sendo ministrado para aproximadamente 30 alunos, divididos em duas turmas. A quantidade de computador ainda é pouca, e por isso, temos que colocar mais de 2 alunos por máquina.

Contentes com a obra que o Senhor nos designou, continuamos sabendo que este mínimo que estamos fazendo, será multiplicado pelo graça infinita do Senhor.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sorrisos, lágrimas e esperança. Esses foram os três protagonistas da nossa despedida do centro-oeste para o nordeste brasileiro

"- Abra os ouvidos! Ouça o Espírito! Olhe para frente! Veja além dessa montanha de dúvidas!"
Era isso que eu me dizia nos últimos dias que antecederam à nossa vinda para o agreste pernambucano. 

Desde que eu e Lívia nos conhecemos, compartilhamos o desejo em comum de trabalhar em prol do Reino de Deus. E mesmo sem sabermos com exatidão sobre qual direção, área específica de atuação e até o tempo, sabíamos que de alguma forma, estaríamos envolvidos com missões. Entendendo que a nossa maior missão é o testemunho de vida de amor e serviço ao próximo, sem a necessidade de nomeação eclesiástica para isso. Então, a partir do nosso casamento, em 2006, seguimos nossas vidas, aguardando uma definição maior vinda da parte do Senhor, aproveitando esse período para nos conhecermos e principalmente, aprendermos a ouvir o Senhor juntos, o que para nós, foi bem diferente do que ouvi-Lo sozinhos, separadamente. 
Em 2009, por intermédio do nosso amigo Rafael, missionário do Projeto Macedônia, fui apresentado ao Fábio, um relutante pastor-evangelista, que me convidou à conhecer a cidade de Caruaru, para uma parceria de trabalho na área de informática e também, uma possível colaboração com a base missionária Coração Nordestino
Já descrevi aqui no blog, as impressões que tive daquela primeira viagem. Contudo, o que não contei foi que desde aquele momento, entendi em meu coração que Caruaru seria o lugar que o Senhor estava nos destinando. Ao retornar daquela viagem, compartilhei com a Lívia as minhas impressões, e assim que o seu coração também apontou para o nordeste, decidimos vir, mesmo sem uma boa perspectiva salarial imediata. A Lívia pediu demissão, e eu também comuniquei a minha intenção de partida no meu trabalho.
Com o passar dos dias, com o distanciamento de Caruaru e a sufocante correria das contas e prazos do nosso dia-a-dia, não apenas esfriamos em relação ao Ide, como também, estávamos com os ouvidos mais atentos às dúvidas e aos nossos temores. Com a mente ponderadora e reflexiva demais, já estávamos decidindo não ir mais para onde antes, haviamos entendido ser a direção que o Vento do Espírito soprava.
Não orgulhoso disso, confesso que pela graça e misericórdia do Senhor, nos foram abertas algumas portas que nos deixaram humanamente mais "seguros" para virmos. Uma delas foi o emprego garantido para os dois. Mas a mais importante, foi já em 2010, a possibilidade da Lívia também conhecer Caruaru antes de mais uma vez, juntos optarmos por vir.
Daí então, foram 4 meses para desembarcarmos no aeroporto de Recife, olhando para frente, para as promessas do Senhor. Sem o interesse de olharmos para trás, pois tal olhar nos traria muitas lágrimas e saudades. E dou Graças a Deus por um olhar para trás nos trazer isto: Lágrimas e saudades. Pois, estávamos deixando mais do que emprego, estabilidade, segurança, conforto, nossa cultura e pessoas. Estávamos deixando amores! É o que a nossa família é e sempre será para nós. (a Lívia, vivendo isso mais uma vez)

Hoje, já estamos na nossa nova casa, perto do centro da cidade, trabalhando, compartilhando e aprendendo com o Senhor. Aprendendo a confiar nEle, depender dEle, mas a agir também. Procurando sair do comodismo mas sem entrar no ativismo. 

Felizes por percebermos o cuidado do Senhor em cada detalhe.
Felizes pelos atuais amigos de caminhada;
Felizes pelos sempre amigos, mesmo a distância;
Felizes pela nossa família em São José do Rio Preto e Parnaíba;
Felizes pela nossa família-sorriso (que tanto nos abraçou) no DF e região.

Continuarei compartilhando mais em breve... Estamos vivendo muitas coisas novas... segue abaixo uma introdução da pregação da Lívia na vila do Juá, aqui em Caruaru.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A sede e a Água


Mano! A sede desse povo não é sede de água não! É sede de Jesus mesmo!

Certa vez, Jesus encontrou uma mulher tirando água de um poço. Sem pudor social ou constrangimento cultural algum, Ele pediu que ela lhe desse de beber. Após ser indagado em algumas questões menores, Ele afirmo à mulher que se ela soubesse quem Ele era, seria ela quem lhe pediria água e Ele lhe daria água viva (água corrente). Ela mais uma vez lhe questiona, pois como Ele poderia lhe oferecer água corrente (água viva), se não tinha condições nem de tirar água daquele poço fundo ao qual estavam próximos. Ela chegou a provoca-Lo perguntando se Ele era maior que o patriarca que construira aquele poço. Foi então que Jesus arrematou a conversa afirmando que todos que bebessem da água daquele poço, tornariam a ter sede, mas os que bebessem da água que Ele estava oferecendo, nunca mais teriam sede novamente.

Sempre quando pensei em missões às pessoas carentes, imaginei que o fator principal de auxílio viria a ser a construção da cidadania do indivíduo através de educação e cursos profissionalizantes, assim como assistência social básica imediata(alimentação).

Em Caruaru, cheguei imaginando encontrar logo na chegada, pessoas carentes de sede, pão, educação e cultura. Surpreendi-me ao ver que a cidade está numa crescente econômica e que já não há (se é que houve) pessoas paupérrimas ali. Logo, meu amigo-guia Fábio, foi me explicando como o comércio está se tornando forte e como isso tem gerado emprego e renda, não só local, mas também nos distritos mais próximos da cidade de Caruaru. Ele me informou que existem sim distritos rurais um pouco mais afastados, que são carentes do básico que a constituinte brasileira determina, gente sofrida dependente da bolsa família e de doações esporádicas.
Antes que eu perguntasse alguma outra coisa, ele me disse como que tentando me acordar de um sono leve: "Mano, a sede desse povo não é sede de água não! É sede de Jesus mesmo!" Percebi que meu pensamento inicial estava errado. Percebi que mesmo com a prosperidade financeira, sem Cristo, não adianta muito à alma do ser humano não mais passar fome. É óbvio que a caridade deve continuar sendo exercida. Que o trabalho volutário para a capacitação de pessoas abandonadas pelo Estado deve ser incentivado. Mas sem o Evangelho, tudo isso não passa de um verniz temporal, literalmente um sepulcro caiado. Se antes, na miséria e sem Cristo, os problema do sertanejo eram fome, sede, educação e cultura, agora, sem miséria e sem Cristo, os problemas são alcoolismo, prostituição, mortes, assaltos e todas essas mazelas que já vemos nas cidades metropolitanas e região. Tanto tempo convivendo com isso e eu nunca tinha me atentado! Temos que levar Cristo às pessoas! Isso não nos impede de levarmos pão e água, pelo contrário, isso nos motiva a também levarmos isso. Mas temos que levar como principal presente, o Evangelho de Jesus Cristo à estas pessoas sofridas, leva-lo não como uma troca, em hipótese alguma!! Sem barganha! Devemos levar o pão e a água terrena para todos, inclusive para aqueles que reneguem Jesus Cristo! Mas não devemos negligenciar o principal, o pão vivo e a água viva! A Boa Nova do Cristo Redentor!