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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Minha Marina


O Brasil amanheceu bem alvoroçado com o resultado das eleições... alguns rindo.. outros nem tanto.. outros na costumeira prisão da indiferença.

Tenho uma certa alegria em constatar que Marina Silva obteve a maioria dos votos para presidente da república no Distrito Federal. Me sinto mais tranquilo em saber que parte do meu senso crítico é fruto de uma consciência política obtida na capital federal e não de uma teimosia oposicionista permanente.

Marina Silva, não obteve o total apoio evangélico, e isso é bom! Direi alguns motivos: 

É bom sim, pois mostra que a população evangélica, não está encabrestada pelo simples fato de um(a) candidato(a) ser evangélico(a). [Mesmo que nesse caso, ouso dizer que o cabresto ocorreu sim, e levou os irmãos à votarem na indicação de uma liderança de convicções, ideais e interesses questionáveis]

É também, muito bom, pelo fato das principais oposições vindas das fileiras evangélicas, virem de onde vieram! O que me faz ir além do que deveria, onde chego a comparar tal ato, como o separar do joio do trigo. [Graças a Deus!]

É também excelente, por boa parte da massa que compôs os quase 20 milhões de votos dadas à Marina, serem de jovens, artistas, pensantes, internautas e não-evangélicos. [Isso se explica pelo fato de que entre os atributos mais marcantes de Marina, não está a sua condição de evangélica]

Obrigado Brasília! Por mais uma vez, eu me sentir em paz e feliz, por ter sido criado numa terra tão explorada e zombada, mas que mesmo assim, é a mais politizada da nação!

Desejo e oro para que Marina saiba utilizar o capital político adquirido, mantendo a sua conduta íntegra e ética, fugindo das tentações e armadilhas do campo minado da política brasileira

Observações importantes:
Em toda a campanha eleitoral, Marina Silva não passou dos 12% de intenção de votos nas pesquisas divulgadas! Marina terminou com quase 20% de votos!!!
Muitas pessoas, diziam se identificar com a candidata Marina, mas não votariam nela porque, de acordo com as pesquisas, ela não teria chances de ganhar as eleições!!
O partido Verde está longe de ser o partido ideal, mas a casa antiga de Marina, o PT, também não era.
Houve sim, uma troca entre Marina e o PV. Ambos ganharam muito, politicamente falando, com essa candidatura.
Os 18% de abstenções de eleitores, também foram fundamentais para que houvesse um segundo turno para presidente da república. [Esses 18% poderiam ter colocado Marina Silva no segundo turno]
Marina Silva, ganhou minha simpatia e admiração, por ser uma cristã evangélica tão ética que chegou a ser questionada pelo coronelismo evangélico, por não favorecer os seus irmãos de fé e por respeitar a neutralidade laica do Estado.
[Atualizado] Por fim, só uma ressalva: Os brasilienses não são tão politizados assim. Ainda existem cabrestos eleitorais a serem cortados! O principal vem da família Roriz.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cadê os Caras-Pintadas?


- Cadê os "Caras-pintadas"? Cadê os incoformados desse país? A população tem que se juntar e metralhar toda essa corja da câmara e do senado!!! Eles roubando e agente se ferrando!!!
Assim vociferou o motorista da lotação que me levava ao trabalho essa semana. Cheio de indignação e abastado de sentimento de impotência e frustração, ele esbravejava sobre os últimos escândalos da política do Distrito Federal, onde o governador José Roberto Arruda e outros políticos distritais, entre eles o presidente da câmara distrital e o corregedor da mesma, foram flagrados recebendo dinheiro ilícito do ex-secretário de relações institucionais, Durval Barbosa.
Como cidadão, ele está repleto de razões para se indignar e reagir cobrando a punição de todos os envolvidos. Seria melhor ainda, se como cidadão, ele pelo menos soubesse em quem votou nas eleições passadas. Infelizmente, essa indignação apesar de ser exposta e reverberada em todos os botiquins de Brasília e região, não ultrapassa as fronteiras da apolitização, da descrença, do sentimento de impotência, da apatia e até, de um certo cinismo, já instaladas nos brasilienses. A raiz disto, deve-se ao fato de estarmos, mais do que quaisquer outros cidadãos brasileiros, expostos diretamente à lixeira moral que está impregnada em nossos governantes. Daqui, sentimos a podridão de perto, vemos o nosso maior jornal impresso, o Correio Braziliense, ser omisso em vários momentos de nossa política, pois os valores altíssimos de anúncios pagos pelo governo, lhe amordaça, lhe domestica. Aqui, histórias mais fétidas do que as das imagens dos videos mostrados, são compartilhadas no dia-a-dia por quem vive nos bastidores do poder. As cenas mostradas não são nenhuma novidade para a população distrital, muito menos para os políticos que por sorte e ou ocupação em outros mensalões, não apareceram nessa emboscada da policia federal.
Em 1992, eu estava com 13 anos de idade, cursava a 7ª série do primeiro grau do ensino médio. Morava no Gama, cidade satélite de Brasília - DF, estava vivendo na periferia da efervescente política estudantil da capital brasileira.
Sem dúvidas eram outros tempos. Éramos movidos por outras paixões e outras ideologias, mesmo que subjugados pelo mesmo espírito corrupto da política e empresariado brasileiro.
Sob risco de ser trucidado, gostaria de mostrar o outro lado de uma falácia: "Os Caras-pintadas tiraram Fernando Collor de Melo da presidência da república." Fico extremamente incomodado quando vejo a mídia divulgar esse logro Brasil a fora.
Como eu disse, eram outros tempos. Naquela época grêmios estudantis eram criados com consciência política e idealista, ingênua, mas idealista. Esses pouquíssimos estudantes mais ativos, encabeçavam e inflavam os demais. Mesmo assim, eram poucos os que de fato eram comprometidos e politizados, a maioria esmagadora dos estudantes aproveitava-se do movimento para matar aulas, paquerar, tomar cachaça e fumar maconha. É óbvio que uma manifestação de massa, apresentada de forma organizada, criou uma pressão sobre os políticos da época. Contudo, a organização das passeatas apenas tinham os alunos como testas-de-ferro. Os professores e diretores dos colégios, radicalmente petistas na época, eram de fato os mentores do movimento. Éramos interrompidos em sala de aula com avisos de que haviam ônibus nos estacionamentos dos colégios, para levar os alunos que quisessem participar da manifestação na esplanada dos ministérios e que depois nos trariam de volta. Os alunos que não quisessem ir, ficariam em sala de aula fazendo um trabalho (que não valeria ponto algum) ou seriam dispensados para suas casas. Oras! Éramos jovens criados ao som de Cazuza, Legião Urbana e Lobão. Quando os docentes explicavam o que significava impeachment e que deveríamos participar da passeata, nossos hormônios confundiam nossos cérebros e ouvíamos apenas "bagunça no ônibus!"
Juntando essa massa organizada, (na verdade, uma boiada alienada bem conduzida) com o poder da imprensa que insistia em dizer que toda a população, representada pelos Caras-pintadas queriam o impedimento imediato do presidente, os políticos da época, realmente se viram acuados e impelidos a quebrarem as caras alianças com o governo e votarem no impeachment de Collor.
É sabido também que tal pressão social, só obteve tamanho impacto, porque Collor estava num processo absolutista, onde não estava mais agradando aos partidos aliados e oposicionistas com a distribuição de ministérios e secretarias públicas, como hoje é feito de forma farta e banqueteira. Não que ele fosse incorrupto, o que ocorreu foi que não queria dividir o bolo, nem queria ceder pressões dos opositores de ocasião. (Um surto fatal de imperador lhe acometeu)
Tudo isso me veio a mente novamente, quando vi na televisão, manifestantes invadindo o plenário. Com bandeiras amarelo-rubras em punho, e uma paixão violenta e notóriamente esquerdista, me pergunto porque a imprensa não diz logo que foi uma invasão de partidários do PSOL? Partido que hoje, meio que simboliza o PT de 17 anos atrás. Receio que queiram forjar outra manifestação atribuída à população.
Com todo esse discurso, não quero desmerecer o valor do movimento dos Caras-pintadas nem da recente invasão. Quero apenas dizer e mostrar, que o povo continua inerte e que as mobilizações ainda são mentorizadas pela esquerda brasileira.

Minha geração cresceu ouvindo que "política e religião não se discute". Talvez por isso, estejamos vendo tantas mazelas na câmara, no senado e em nossas igrejas.
Devemos lembrar que o início do combate a corrupção acontece em nós mesmos, como bem ensinou Jesus Cristo: "Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão."

Por ter me alongado muito, não entrei aqui no assunto dos evangélicos envolvidos. Isso será assunto para um outro post.