Mostrando postagens com marcador Pavablog. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pavablog. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Missionários da ordem de Melquisedeque

Já tem algum tempo que a Claudinha me mandou um e-mail com um post divulgando um trecho de um e-mail de Gabriel Buchmann, o brasileiro que se perdeu numa montanha africana e morreu de frio.
Apenas hoje eu li esse e-mail, e de imediato me ocorreu que Deus tem levantado no mundo inteiro, missionários da ordem de Melquisedeque. Missionários cuja a cartilha, está escrita no coração.
Quem não chegou a conferir o trecho abaixo, eu recomendo.

Gratidão de joelhos

“Caríssimas mamãe, namorada e João, meus grandes parceiros de mochilagem desta fantástica trip, e querida irmãzinha, depois de mais de uma semana mergulhado de cabeça no coração da África, encontrei este cyber café aqui em Jinja, interior de Uganda e em frente à foz do rio Nilo...e vos escrevo pra dizer que estou maravilhosamente bem...

Meus dias aqui na África estão sendo absolutamente fantásticos ! ! ! ... depois de passar uns dias na casa de um refugiado congolês nos subúrbios pobres de Nairóbi, fui parar nem sei direito como na remota tribo dos massais no kenya, onde passei dias correndo atrás de girafas, zebras e antílopes, com lanças e espadas e vivendo a vida tribal dos caras, dormindo em ocas, etc...e entre outras aventuras pelo kenya, terminei em grande estilo, fazendo um safári de bike com um amigo meu massai num parque nacional lindíssimo...

Tô muito roots, andando há uma semana enrolado em cangas coloridas e carregando um cajado e uma espada de aço...e só sei que desde que cheguei na África, não vi NENHUM muzumgo (white man) além de mim...

Ah, e hoje no meio de tudo coloquei uma criança na escola... É uma longa estória, mas, resumidamente, depois de passar o dia passeando por um vilarejo aqui de Uganda com um menino que, entre outras coisas me apresentou a sua família paupérrima, e de por acaso visitar uma escola publica e falar com o diretor, acabei que paguei pela matriculas, mensalidades e todas as despesas do menino ate o fim do ano, e me comprometi a, se ele me mandar o boletim dele, continuar pagando pelos próximos anos...

O melhor de tudo é que aqui na África to conseguindo por em prática a viagem que sempre idealizei... hoje ficarei em hostel pela segunda vez desde que pisei no continente, todos os outros dias dormi e comi na casa de locais, gastando uns 2-3 dólares por dia, o que me permitiu a cada dia distribuir meu daily budget entre as pessoas que me hospedaram, alimentaram, etc...

Tô muito feliz com isso, de conseguir estar vivendo grandes aventuras e realizando uma viagem de profunda imersão no continente africano, absolutamente não turística, e de forma totalmente sustentável, transferindo 80% dos meus gastos pra africanos pobres... e aqui com quase nada vc faz uma substancial diferença na vida das pessoas...

Esse amigo meu congolês, por exemplo, com 12 dólares paguei o aluguel mensal da casa da família dele, esse menino com 40 dólares garanti um ano escolar pra ele numa escola super legal, hoje dei 2 dólares pra uma mulher que me convidou pra conhecer a casa dela e ela se ajoelhou e quase chorou...

Podia escrever horas sobre essa minha primeira semana aqui na áfrica, tô realmente muito contente por tudo aqui estar superando minhas melhores expectativas..."

trecho de e-mail que Gabriel Buchman enviou para a mãe no dia 1 de junho. o corpo dele foi encontrado na tarde de quarta-feira (5). Leia + no blog Ajude Gabriel Buchmann.

colaboração: Monica do Coutto Monni

[Reverberado]

Fonte: Pavablog, Claudinha

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Graça na desgraça

Estava pensando no que escrever sobre a morte de Michael Jackson, e se caberia escrever algo aqui. Então encontrei esse excelente texto do Eliezer e não resisti. Reverberado.


Michael Jackson, o entronizado “Rei do Pop” morreu.

A notícia correu rapidamente nesse mundo virtualmente globalizado.

Fãs aglomeram-se em locais-ícone da história dessa figura do mundo da música, as TVs cobrem à exaustão o fato, nos principais portais da internet as últimas notícias e comentários sobre sua vida são abundantes, os mecanismos de busca como o Google por exemplo registram 79 milhões de resultados no momento em que escrevo essa reflexão.

Garoto negro, pobre, filho de um metalúrgico exigente e de uma dona-de-casa afetada pela poliomielite, nasceu em plena época da luta dos negros pelos mesmos direitos civis que os brancos. Desde cedo seus irmãos mais velhos demonstravam talento para a música, e com Michael não era diferente. Desde a infância era evidente seu carisma, algo que seus irmãos não possuíam, além de uma voz marcante que o levou a ser o vocalista e destaque da banda Jackson 5, em 1969.

Já nos anos 1980, segue em carreira solo lançando 3 discos que o consagraram no cenário mundial da música, uma vez que como vocalista do Jackson 5, seu talento era reconhecido: On the Wall produzido pelo maestro Quincy Jones; Thriller e BAD. A explosão de criatividade, evidenciada na fusão de estilos musicais e no tratamento diferenciado de seus vídeo-clips, com destaque para Thriller, o consagrou ao posto que até ontem desfrutou em vida , como “Rei do Pop”.

Como todo ciclo da natureza, após o ápice vem a fase de declínio. Com álbuns não tão inspirados, repetindo as mesmas fórmulas que o consagraram, mas mesmo assim mantendo seu estilo e ainda conquistando novas gerações com sua música, entra em uma fase estável em sua carreira, que poderia ter se perpetuado caso suas extravagâncias e escândalos não tivessem prejudicado sua imagem pública.

Acusações de pedofilia, mudanças radicais na aparência, casamentos esquisitos, concepção de filhos realizados de maneira suspeita, gastos perdulários, processos judiciais, acordos milionários, vida extravagante, manias, esquisitices e finalmente falência são os principais ingredientes nefastos de sua curta vida.

No que tange a saúde lúpus, vitiligo, dores constantes a ponto de ter se viciado em analgésicos além da exigência extrema do corpo nas danças são algumas das doenças mais divulgadas. Quanto à sua vida, teve um pai exigente e autoritário, o seqüestro de sua infância e adolescência pela fama, o excesso de dinheiro que permitia a si a fuga da realidade e o assedio das vicissitudes inerentes ao show-business.

Certamente, apesar de aparentemente ser uma criança-adolescente aprisionada no corpo de um adulto (a chamada síndrome de Peter-Pan), Michael Jackson viveu, em intensidade, mais de 50 anos. O turbilhão que o assolou desde os 9 anos de idade, o envelheceu rapidamente na alma. Tornou-se vítima de seu talento e carisma ao entrar na roda da neurose coletiva de criarem para si “ídolos”, esquecendo-se de suas limitações como qualquer ser humano normal e permitindo-se que suas esquisitices dominassem sua vida, não mais discernindo as coisas.

Paulo em 2 Coríntios 4:7 diz: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.”. Apesar do contexto concernente ao evangelho que esse fragmento integra, não consigo deixar de associá-lo a vida desse astro pop.

Apesar da pobreza e de sua origem étnica, a vocação musical de sua família, herdada de seu pai, músico que tocava na noite, eram sinais manifestos da graça de Deus, mais ainda com o carisma do pequeno Michael. Mesmo diante de uma família em um contexto fraturado, com cobranças, exigências, má conduta paterna, relacionamentos interrompidos, Deus não se furtou em agraciá-los com o dom da música, algo que é tão importante na terra como no Céu, ainda mais nesse.

O uso dessa graça, que só se manifesta em gente, é de competência pessoal. E decisões pessoais tem o poder de transformar graça em desgraça. Ao ver a incontida vocação de seus filhos para a música e também uma oportunidade de melhorar a vida de sua família com esse dom, seu pai tratou de investir nesse sentido, obstinadamente esquecendo-se que o “menino de ouro” era só um menino, que precisava ser menino em seu tempo de menino.

No entanto, mesmo diante dessas circunstâncias, o “tesouro” do talento e do carisma de Michael sempre estiveram contidos em um “vaso de barro” – o próprio Michael. Uma grande voz em um ser infantilizado; um performer contido em uma aberração física; um ser divinamente criativo com uma conduta sexual duvidosa; um ser que em seu interior abrigava o astro reluzente de seus dons concomitante ao buraco negro de sua existência.

Esse conflito irresoluto o levou à reclusão. Além das necessidades financeiras que o pressionavam, dizem que ele animou-se a retornar ao show-business pois queria que seus filhos -agora já mais crescidos- o vissem no palco, mais ou menos no mesmo sentimento do pai que leva, orgulhoso, seu filho para o trabalho. Quem sabe?

Para mim que na minha adolescência e juventude tiveram a presença marcante de Michael Jackson, apesar dos escândalos, torcia para que esse retorno pudesse ser “a” volta por cima. Para que além de mim, minhas filhas pudessem testemunhar essa manifestação da graça incontida de Deus em um ser humano, tão humano como Michael Jackson. Que mesmo diante de suas idiossincrasias, seu talento e carisma divinos falavam mais alto que qualquer fracasso em sua vida pessoal.

Na verdade o que seus fãs não sabem é que são fãs não de Michael Jackson, mas da graça divina que resolveu se manifestar nele, apesar dele. O “vaso de barro” se quebrou, sem conserto na terra. Fica a lembrança da graça divina que ele manifestava nas suas músicas, danças, clips e shows.

domingo, 14 de junho de 2009

Os pés e os calcanhares do Corpo de Cristo

Corpus Christi é a solene festa católica de celebração ao Corpo de Cristo. Segundo a tradição católica apostólica romana, a Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia de Jesus e os seus discipulos durante a Festa Judaica da Páscoa.

As palavras de Jesus “Este é o meu corpo...isto é o meu sangue...fazei isto em memória de mim” tem diferentes interpretações e seja qual for a leitura liturgica daquele fato histórico, o que importa é que estamos falando da mais importante celebração dos Cristãos.

O apóstolo João descreve com detalhes as palavras de Jesus na insituição da Ceia do Senhor, é um dos maiores e mais intimista de todos os ensinos do Mestre.

Ao meditar sobre o Corpo de Cristo eu desejo enfocar os seus pés antes, durante e após a sua ressurreição.

Na última semana de Jesus nós encontramos quatro importantes referências sobre pés humanos, a unção dos pés de Jesus por Maria em Bethania, a limpeza dos pés dos discípulos no Cenáculo, o calcanhar de Judas se levantado e os seus pés rasgados e pregados na Cruz.

Antes de ser preso e ser torturado até a morte, ao anoitecer da quinta-feira ele reserva aos seus amigos momentos cheios ternura, encorajamento e ensino e Ele começa lavando os seus pés.

Na mitologia grega, Hermes que também é o protetor dos ladrões, tinha asas nos pés; entre os hindus uma casta de seres humanos são chamados e tratados como imundos, pois são a poeira dos pés de Brahma; na mitologia nórdica, a vingativa e mal humorada deusa da caça Skadi só pode escolher o seu esposo olhando somente os pés dos pretendentes e ao ver um belo par de pés escolheu a Njord pensando ser Balder, o deus amado por todas as coisas da criação.

Ainda pensando nos pés dos deuses e figuras mitológicas, não nos esqueçamos de Édipo o menino de “pés inchados”, cujos pés simbolizam a fraqueza dos caminhantes da vida, Aquiles com o seu calcanhar só vem reforçar a simbologia de fragilidade humana que os pés trazem.

Homero afirmava que a deusa Ate tinha os pés delicados e que jamais tocavam no solo, mas andava sobre a cabeça dos homens.

Mas, no cenáculo em Jerusalém acontece uma cena em que o Deus dos cristão suja as mãos com a poeira dos pés dos seus discípulos.

Por isso que São Paulo ao escrever aos cristãos de Filipos diz que embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!

No Oriente, lavar os pés era um obséquio aos estranhos e hóspedes que estavam de viagem. E isso só era feito pelos mais simples serviçais.

Em determinado momento, enquanto os discípulos discutiam entre eles para saberem quem era o maior – quem seria o primeiro ou segundo vice do Reino - Jesus se levanta, tira a sua capa que é sinal de autoridade e com o dorso nu, amarra uma toalha na cintura, derrama água numa bacia e começa a lavar os pés dos candidatos ao poder.

A lição de serviço abnegado e de humildade está bem claro naquele momento, mas imaginem a cena, Jesus lava os pés de cada um daqueles que Ele amou até o fim e que em poucas horas, um levantaria o calcanhar traindo-o, outro o negaria e os demais sumiriam deixando-o só no seu pior momento.

Jesus sabe que os nossos pés são frágeis, se machucam e ficam empoeirados e até hoje são poucos os cristãos que entenderam o que aconteceu naquela noite.

O lava-pés é a melhor alegoria da Regra de Ouro que as maiores religiões do mundo ensinam e que Cristo deu a ela uma forma positiva: Façam aos outros aquilo que vocês querem que eles façam por vocês!

Só compreenderemos a santificação cristã quando começarmos a nos despir e curvarmos até o chão para lavar os pés dos nossos irmãos – que como os nossos – são suscetíveis às sujeiras e ferimentos da jornada da vida.

Os discípulos de Jesus não excluem niguém da mesa mandando-o tomar um banho disciplinador e penitente. (em alguns casos corrosivos e deformadores)

Os discípulos de Jesus são pessoas conscientes de que são uns “pés sujos” e devem passar a vida toda lavando os pés uns dos outros.

Infelizmente, nós somos uma geração de cristãos que ainda prefere lavar as próprias mãos nas águas da covardia permitindo crucificações a ter a coragem de sujar as mãos lavando os pés para que ninguém fique de fora da ceia, da comunhão e do legado do Senhor Jesus.

Quem vive lavando as mãos como Pilatos não tem os pés formosos, pés assim não anunciam as Boas Novas e são os novos calcanhares levantados contra o Corpo de Cristo.

As mãos mais limpas são aquelas que vivem lavando os pés dos seus irmãos e reconhecendo os seus calcanhares de Aquiles.

Levi Araújo

[Reverberado!]

Fonte: Pavablog