quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Um conto sobre idolatria


O Senhor Deus, O Eterno, certa vez disse aos humanos: – Não fazei para vós ídolos, pois vós humanos, são similares à lua e passam a refletir, como sendo próprio de vós, o brilho de quem ou o que lhes encandeiam os olhos, não os do rosto, mas os da alma, que possuem um olhar de contemplação e adoração.

O Senhor Deus, O Eterno, continuou revelando o mistério da absorção que transmuta o ser por meio da contemplação e da adoração. Este mistério consiste em que os humanos passam a projetar em seus diversos "espelhos" a imagem do que os mesmos absorveram no processo, consciente ou não, da contemplação e adoração. Este reflexo gerado, sustenta-se na essência do ser e dependendo do que for refletido, o ser como alicerce, sofre e deforma-se, moldando-se conforme o peso e o pesar do que agora seu ser reflete.

Mas há quem diga que em alguns humanos, não há brilho algum sendo refletido! De fato, isto é quase verdade, pois estes repousaram os olhos da alma no vazio que chamamos de trevas e assim, a escuridão lhes esvaziaram quase que completamente, posto que a escuridão é ausência, por tanto, a nada preenche. E sim! Existe um “quase” que permite perceber o sopro distante e relutante da esperança, mesmo que se esteja pregado numa cruz, ao lado de um inocente, pois a centelha de luz do Criador, existente em cada humano, há de perdurar na criatura até o dia em que ela, solitária de luz, retornar ao Criador, fazendo com que a inexistência completa se apodere daquele ser, o qual não sendo mais, é levado ao abismo! O lugar chamado de inferno!

Mas há também, quem diga que existem nos corações de alguns humanos, por tanto, no alvo dos olhos da alma, a idolatria à dúvida! Nestes, a percepção das tensões e das incoerentes inconsistências no ser daqueles que habitam os polos opositores da fé e da anti-fé, os fazem, covardemente, repousarem sua contemplação e adoração nos pontos de interrogações das questões, as quais não são saciadas nem com as propostas da fé, nem tão pouco com as contra propostas da anti-fé.

Há ainda, esses digo eu, aqueles que não idolatram a nada e nem a ninguém, e de tão certos que são os únicos a obedecerem o que nos ensinou O Senhor Deus, O Eterno, a respeito dos ídolos, acabam por ter os olhos da alma fitos no que aparenta ser intangível! Idolatraram sua pseudo condição de não idólatras! Assim, carregam em si, um reflexo do "não" e ou do que não são! Deixam assim, sem se darem conta, de serem como eram no princípio e vão permitindo que os seus seres se moldem na amarga e pesada capa de um juízo que não é refletido em Luz.

É, por fim então, que surgem aqueles, que são como alguns de vocês que me leem agora, que percebendo os apuros do ser, perguntam: - Quem irá então escapar de tal contradição do próprio ser?? Como escapar dessa aflição do olhar e do não olhar? Como fechar os olhos da alma?? Não podendo (fechar os olhos da alma), o que devemos olhar?? Para onde olhar?? Quem devemos olhar para refletirmos uma imagem que não desfigure quem de fato somos ou fomos no princípio??

EU SOU!!! Em imagem e semelhança os criei! Para serdes santos e perfeitos os destinei! – De pronto interrompe, O Senhor Deus, O Eterno, o desvaneio dos insensatos, mais uma vez apresentando não só uma reposta, não só um propósito, mas a única e definitiva salvação!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A crucificação foi uma "armação" de Deus??


A fé cristã afirma que Jesus, o Ungido de Deus, é o próprio Deus vestido de carne humana, o que justifica muito bem, um de seus nomes: Emanuel – Deus conosco. Tal concepção encontra alicerces no cânon cristão, principalmente, nos escritos de João, o amado, que nos apresenta Jesus como o Verbo de Deus e como a Palavra da Vida encarnada; nos escritos de Paulo, o ex-perseguidor, que destacava a humildade de Jesus, mesmo Ele subsistindo em forma de Deus, não usurpava em sÊ-lo; e também, nos escritos de Pedro, o presbítero, que escreve afirmando que o Cristo já era conhecido ainda antes da fundação deste mundo.

Tomando a Bíblia como nosso principal e soberano guia de estudo da história Deus com a humanidade, percebemos que mais do que qualquer outro Atributo, Deus revela-nos o seu Amor, através do seu estender de braços para a reconciliação com os seres humanos, que, por desobediência, se desgarraram do Pai Celeste.

De certo que ao nos ajudar com a percepção de que falhamos, para que, através dessa consciência, fosse gerado em nós o arrependimento, Deus ensinou-nos também que a reparação das nossas falhas para com Ele, viria através de ofertas de sacrifícios e que sem o sangue expiatório de um inocente, não haveria perdão. Para este processo, Deus deu-nos algumas orientações a serem observadas, entre elas, designando que o cordeiro que fosse entregue para o sacrifício, deveria ser um cordeiro perfeito e sem mácula alguma (manchas ou defeitos) , indicando assim uma exigência de perfeição e pureza.

Com a leitura bíblica, também percebemos que há uma evolução na revelação de Deus e seus mandamentos para o ser humano, proporcionalmente, ao passo que este (ser humano) evolui em entendimento. Em contrapartida, o ser humano também evoluí conforme mergulha na compreensão dos ensinamentos eternos de Deus.

Esse processo evolutivo continuou até que em determinado momento da história, aprouve a Deus, designar seu Filho para a reconciliação final. Uma vez que, nenhum cordeiro (ovino), por mais puro que fosse, poderia servir, definitivamente (de uma única vez e de uma vez por todas), como paga por todos os pecados (passado, presente e futuro) da humanidade, coube a Deus então, prover um cordeiro santo para a expiação definitiva.

Em nossa fé cristã, entendemos que a morte nada mais é do que uma passagem, um retorno ao Criador. A morte não é um fim, pelo contrário, é o início para a verdadeira vida. Ora, se nós, pequenos em consciência possuímos essa visão que retira todos os poderes, de finitude, da morte, imaginemos então o Todo Poderoso, O Eterno, Aquele a quem a morte não pode segurar? Um raciocínio lógico e direto poderia nos levar a uma prévia conclusão de que o sacrifício de Jesus no Calvário não passou de uma “armação”, uma vez que Deus não pode morrer!

Com exceção da “armação”, tais fatos são verdadeiros, a saber, que a morte é insignificantemente inofensiva para Deus e que o Eterno não pode morrer! Então o próximo raciocínio é de que a carne humana, o invólucro perecível que Deus utilizou, por 2 dias esteve sem suas funções vitais, mas no terceiro dia, o coração retomou seu trabalho de bombear sangue e o cérebro foi ativado novamente, restaurando, plenamente suas funções cognitivas e os demais órgãos também foram reativados em todas as suas funções vitais, ao que chamamos de Ressurreição.

Ora, mas dizer que o Filho de Deus morreu é dizer que Deus morreu!! E isto é impossível!!! Todo o plano de Deus então não passaria de uma atuação?

Esse é o questionamento daqueles que observam a passagem histórica de Jesus na terra, apenas focando sua morte e ressurreição. A missão do Ungido de Deus é muito maior! A missão do Cristo foi também, de resgate, de restauração, de socorro e de ensino, como costuma dizer o pastor Ariovaldo Ramos, foi a de ensinar a gente, como gente deve ser. Mas, acima de tudo isso, a morte expiatória de Jesus Cristo é a prova e a demonstração real do que o Amor de Deus é capaz de fazer por nós. Ela nos aponta para o entendimento de que em Cristo, Ele morreu por nós, Sim! Ele MORRERIA se assim possível fosse!!! Mais do que a visceralidade da violência sofrida pelo corpo humano que o Eterno habitou, muito bem encenada no filme do Mel Gibson, é a profundidade da revelação do Indescritível, Inigualável e Todo Poderoso Deus Criador de todas as coisas, nos dizer que a extensão do seu amor vai até a morte! Chocar-se com tal revelação nos faz transcender da cruz!! Faz questionar-nos sobre que tipo de amor insondável e imensurável é esse que faz o próprio Deus entregar-se em sacrifício por amor de nós? Que amor é esse que é antes de tudo, unilateral, pois vem do Pai para nós em primeira instância e que nós, em nossa pequeneza, o máximo que conseguimos fazer (quando fazemos), é corresponder dentro das nossas limitações. A limitação humana, neste caso, possui um teto muito baixo, pois restringe-se apenas ao ato de devolver-Lhe as nossas vidas em inteireza de entrega, serviço e adoração e acima de tudo em amor e socorro ao próximo, tal qual, Jesus ensinou.

A morte do Filho de Deus, na cruz do Calvário, nos espanta (conforme avançamos na compreensão) porque percebemos (parcialmente, conforme nossas limitações) a imensidão do Amor de Deus, que mesmo sendo Soberano e Senhor de todas as coisas, se IMPORTOU em demonstra-lo (seu Amor) para nós.

Cristo em sua fala, diz que não havia maior demonstração de amor que a dEle, em dar a sua vida aos seus amigos. Nesta mesma fala, ele diz que deixara aos seus discípulos um novo mandamento, uma nova ordenança a cumprir, a saber, que amassem uns aos outros da maneira como Ele os amara e ainda na sequência desta fala, Ele os elege como amigos, tirando-os da condição de apenas servos. Parece-me claro que Cristo não só apontou seus destinos (com exceção de João), como também os encorajou a morrer por Ele, agora não só como seu Senhor, mas também como seu Amigo, tão quanto os encorajou a morrerem uns pelos outros, em entrega recíproca (ao Amor de Deus), não obrigatória e não condicional. Entrega essa exercida por todos aqueles que adquirem (são agraciados) fé e compreensão no ato de, metaforicamente, se molharem (minimamente), imergindo a pontinha do pé nos imensos e profundos oceanos do Amor, Sabedoria e Mistérios de Deus.

domingo, 15 de julho de 2012

Bodas de Perfume ou Açúcar - 6 anos de casamento!


Neste domingo (15/07/2012) celebramos nosso sexto aniversário de casamento.


A tradição classifica este aniversário como bodas de perfume ou açúcar, não cheguei a investigar a origem que resultou em tal classificação, mas me alegro com os elementos utilizados para representar este sexto ano de matrimônio. Pois desde maio que meu coração experimenta a doçura do Amor de Deus e o perfume de sua Graça sobre as nossas vidas.

Na madrugada de primeiro de maio fui acordado com o chamado emocionado da Lívia, que no banheiro de nossa suíte, em lágrimas, segurava um teste de farmácia nas mãos dizendo que eu iria ser papai! Ainda acordando, fui digerindo as informações em meio a uma montanha russa de sentimentos, pois enquanto me acalmava do despertar abrupto, eu ficava eufórico com a confirmação da gravidez. Claro que não conseguimos mais dormir com a descoberta deste presente de Deus em nossas vidas e logo pela manhã, não tardamos em anunciar aos nossos parentes e amigos essa boa nova.

Pouquíssimos dias depois, no dia 4 de maio, data que eu completei meus atuais 33 anos de idade, fui surpreendido com outro lindo presente: a visita da minha linda mãezinha, vinda de outro estado, para curtirmos juntos o meu aniversário. Percebi então, que pela primeira vez, eu festejava um aniversário na companhia de um fruto da minha semente, que mesmo ainda estando em estado embrionário, já era tão presente que não havia outro assunto a falar a não ser dele(a).

- Deus é tão Bom! Deus é tão Generoso! Deus é tão Provedor! Deus é tão Cuidadoso! Deus é tão Misericordioso! - Essa é a fala de nossos corações até agora!

São tantos sentimentos de gratidão a Deus, que mesmo que pela primeira vez não tenhamos separado um horário ou uma refeição em especial, em casa ou em algum restaurante-cinema-lanchonete, para celebrarmos esta data tão especial, nós ainda assim celebramos em alma e coração, pacificados e gratos, bem quietinhos em casa e debaixo das cobertas, neste domingo de frio e chuva da invernada do agreste pernambucano, com a mesma alegria das outras bodas, sendo que dessa vez, já não estávamos mais em dupla, como sempre estivemos, mas em um belo trio com a presença de nosso(a) filho(a). Estamos ainda com outro presente de Deus, a saber: desfrutando do privilégio de receber e hospedar aqui em casa a dona Thelma, missionária paulista que atua levando o Evangelho de Jesus Cristo aos remanescentes de escravos, o ainda não alcançado povo quilombola. Mulher simples e sábia que nos ensina com suas experiências de vida e humildade.

São seis anos de crescimento, caminhada e parceria. Degraus que sobem, degraus que descem. Dias de sol e noites de chuva, dias de sorrisos e dias de testas franzidas. Mas sempre, dias de linha reta na direção de busca da vontade de Deus, individualmente, como casal e agora, mais do que nunca, como uma família!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Autorretrato da Música Cristã Brasileira - Roberto Diamanso

Senhoras e senhores, lhes (re)apresento (através da entrevista de Mário Valladão, do programa Autorretrato da Música Cristã Brasileira) o menestrel Roberto Diamanso, um legítimo poeta de Cristo que conta, canta e encanta aos seus ouvintes com a brasilidade com que lhes apresenta as Boas Novas do Criador, em suas cantigas, rimas e versos.



Mais sobre o trabalho de Roberto Diamanso em sua página do myspace

[REVERBERADO]

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Movimento Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino e o Sertão

O Projeto Macedônia, esteve de 19 a 24 de março de 2012 no Congresso Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino, na cidade de Juazeiro do Norte, no estado do Ceará. Este congresso deu início ao Movimento Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino.

Estou há 6 anos trabalhando como missionário na região nordeste do Brasil. Minha primeira morada foi em Caruaru, no agreste do estado de Pernambuco, depois morei alguns meses no sertão do estado do Ceará, na cidade de Cariri e atualmente, estou na cidade de Amarante, localizada no interior do estado do Piauí. Nesses anos visitando diversos líderes de diferentes estados dessa região, líderes sertanejos que estão engajados na evangelização do Sertão, ouvi diversas frases ditas por eles, como: “Estamos sozinhos nessa luta”; “O sertão é esquecido pela igreja brasileira”; “Não vamos conseguir sozinhos”; “O sertão precisa de ajuda”. 

Antes de falar da minha impressão sobre o Movimento Nacional (Movimento Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino), gostaria aqui de destacar que toda “crítica” é fundamentada no interesse de quem critica, neste caso o meu interesse é ver o sertão totalmente transformado e evangelizado. Acredito que o Reino de Deus é construtivo e não destrutivo, e para que eu, como igreja, possa fazer parte dessa construção, preciso deixar meus interesses pessoais e ministeriais de lado. Quero ver o sertão evangelizado e não ter uma grande organização estabelecida. 

Acredito sim no Movimento Nacional e nos benefícios que ele pode trazer para o povo sertanejo. Vejo o Movimento Nacional com um caráter missionário e como todo trabalho missionário, estará sujeito a “erros” e “acertos”. Nenhum movimento missionário teve 100% de êxito, contudo contribuíram para que boa parte das nações pudessem ser evangelizadas. Tenho recebido e-mails e ligações de pessoas que não gostaram e não concordaram com a forma na qual foi direcionado o Congresso Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino, não escondo a minha tristeza, pois até o momento poucas ou quase nenhuma pessoa se disse disposta a plantar pelo menos 2 igrejas das 10.000 estabelecidas como alvo. Deus está com os seus olhos sobre o Sertão Nordestino e nós não temos como e nem podemos controlar o agir dele sobre esta terra. 

Já estive em ações missionarias em 8 estados do nordeste Brasileiro, passaporte carimbado nas maiores romarias do nordeste (Pe. Cicero, Frei Damião, Sta. Cruz dos Milagres, Canindé). Já morei em alto sertão, serra, vilarejo e povoado, experimentando picada de escorpião e tendo que atravessar rios de enchentes no Ceará para poder chegar em casa, com tudo isso eu poderia pensar: “Eu sim tenho mais para falar do que os preletores que estão na plataforma ministrando neste congresso”. Contudo, se esse fosse meu sentimento, acredito que o alvo de “evangelizar o sertão” teria se perdido diante dos meus olhos. Não existe maior privilégio do que fazer parte da história da evangelização do sertão nordestino, e com muita alegria eu posso dizer que faço e continuarei fazendo parte dela. 

Acredito sim no Movimento Nacional e na força que ele dará para que aqueles que estão há tempo trabalhando no sertão, sem nenhum apoio, sejam apoiados. Eu também acredito que o Movimento Nacional precisa se contextualizar com a realidade sertaneja; assim como eu, missionário de origem paulista, precisei me contextualizar, porém só consegui porque pessoas me ajudaram. Queremos e precisamos ajudar o Movimento Nacional. E da mesma forma que parece ser utópico plantar 10 mil igrejas em 10 anos, é também utópico acreditar que vamos realizar todas as tarefas missionárias sozinhos, por isso precisamos de unidade.

Deus está dando esse momento lindo para o sertão e juntos precisamos aproveitar e fazer dessa oportunidade uma das maiores ações missionárias que o planeta já viu. Denominações, Missões, Ongs, Juntas Missionárias e Missionários, todos juntos na evangelização do sertão nordestino, esse é o Movimento. 

Nós do Projeto Macedônia acreditamos no Movimento Nacional, apoiamos e queremos de alguma forma contribuir com ele e convidamos todos aqueles que acreditam na redenção do sertão ao senhorio de Cristo, a juntar-se a ele. 


Rafael Reis | Projeto Macedônia
Missionário para o sertão e quilombolas do nordeste.

[REVERBERADO]

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Diário de Bordo: Caruaru-Pe

Relatório do primeiro período em Caruaru:

Em 15 de agosto de 2010, partimos “de mala e cuia” de Valparaiso de Goiás – GO, rumo à Caruaru – PE. Sabíamos que seria um tempo novo de muito aprendizado, tempo este, necessário para o nosso crescimento espiritual. Isto era, basicamente, tudo o que sabíamos. Apesar de muitos considerarem essa decisão um grande passo (e realmente foi), para nós o sentimento era parecido com o da águia, “daquela” estória de renovação, sabe qual é?! Sentíamos que por mais que tudo parecesse incerto e doído, era algo que tínhamos que fazer em fé, obediência e sobre tudo, para nossa própria sobrevivência. Então, como egoístas que somos (risos), nos lançamos!!! Em busca de aprender, crescer, renascer e tudo mais que Deus quisesse fazer.

Nossa mudança foi enviada cerca de 20 dias antes de embarcarmos, durante esse período que ficamos sem nossas coisas, fomos acolhidos e suportados por nossos queridos familiares: Ana Paula, Marcelo e Davi.

Quando chegamos em Caruaru, os amigos Fabio e Marcela nos hospedaram por quase 30 dias, até encontrarmos nosso lar atual. Foram dias muito gostosos, pois o casal além de nos levar aos melhores lugares da cidade, onde degustávamos sempre da boa culinária nordestina, também nos acolheu muito confortavelmente, nos deixando sempre bem a vontade em sua residência. Sempre solícitos, também nos auxiliaram na procura de uma casa para morarmos, e graças ao auxílio do pr. Eraldo, conseguimos uma ótima casa, em um bairro também ótimo, o que eu só compreendi meses depois, pois a princípio, parecia apenas bom.

Tudo era novo e trazia estranhamento, foram assim nos primeiros 6 meses em Caruaru, vivemos muitos estranhamentos: Estranhamento da cultura, do sotaque, do local, da água, da estrutura da cidade, das pessoas, do trânsito, enfim, meses difíceis de meditação e oração, esperando que Deus nos mostrasse o que Ele queria de nós aqui. Confesso que nesses primeiros meses chegamos a pensar que tínhamos entendido algo errado, mas esse período nos trouxe muitas lições, sobre tudo para mim como esposa, aprendendo a confiar no trabalhar de Deus, confiar no tempo de Deus e em sua provisão, confiar também no que Ele estava e está fazendo em meu esposo. Estamos aprendendo a amar e a servir em amor, apesar das diferenças. Nossos amigos Rafa e Mari também foram muito importantes, nos auxiliando nesse primeiro momento de adaptação em Caruaru.

Foi em meio a essa busca que Deus nos deu, mais precisamente ao Mano, o entendimento de que a falta de “ferramentas” não devia ser empecilho para o que Deus estava colocando em nossos corações para fazermos, por exemplo: Podíamos dar aulas de informática e auxiliar nos cultos das congregações que estão se formando nas áreas rurais de Caruaru (apoiando o trabalho realizado pela Igreja de Deus no Brasil), contudo não tínhamos e ainda não temos carro ou moto, nem mesmo os computadores para as aulas. Foi quando Deus nos despertou para trabalharmos com as ferramentas disponíveis: Próximo a nossa casa tem uma praça, onde ficam ao final do dia, varias crianças, adolescentes, adultos e idosos. Em frente à praça têm alguns comércios, uma padaria e duas lan-houses. O Mano então percebeu que poderia utilizar a estrutura física da lan-house para realizar o projeto social das aulas de informática, não só levando a aprendizagem, como também, realizando uma aproximação com a comunidade procurando oportunidades de compartilhar valores do evangelho.

A princípio os donos da lan-house estranharam e até suspeitaram muito dessas “Aulas de Graça?” Mas aos poucos, conforme iniciaram as aulas, eles foram entendo o trabalho, conhecendo melhor ao Mano que conseguiu conquistar a confiança deles.

Paralelamente a esse trabalho, através do Projeto Macedônia, iniciamos o apoio à Missão Coração Nordestino (pr. Eraldo), eu auxiliando o ev. Fabio e sua esposa, na congregação da Igreja de Deus no Brasil, na vila Juá, área rural de Caruaru; e o Mano em outro projeto social de aulas de informática, em parceria também com a Igreja de Deus no Brasil (Pr. Jota e Irmã Nerêz), realizado no bairro José Carlos de Oliveira, aqui em Caruaru. Conhecemos também o pr. Sérvulo, sua esposa Luciana e o seu filho Gabriel, uma família que havia chegado de mudança em Caruaru um mês antes de nós, vindos de Biritiba Mirim - SP, enviados pela Igreja Presbiteriana da Graça. Foi um presente providencial de Deus conhecê-los, pois nós queríamos nos dedicar mais aos trabalhos sociais nas áreas empobrecidas da cidade e eles estavam justamente precisando de ajudantes na APG (Associação Presbiteriana da Graça), que realiza um trabalho de reforço escolar para crianças de 7 a 12 anos na comunidade do Cipó.

Bom agora que os caminhos estavam sinalizados, era arregaçar as mangas e trabalhar. Foi e tem sido como pensávamos: Uma grande aprendizagem! Pois mesmo estando com 5 pequenas turmas de informática, o tempo que o Mano levou para forma-las no primeiro módulo foi maior que o esperado, pois em todas as turmas ele encontrou problemas de aprendizado não previstos como dificuldade de leitura e interpretação de texto, sem falar na deficiência em realizar contas simples de multiplicação. O Mano como bom professor que é, não facilitou, cuidou para que todos os alunos aprendessem o primeiro módulo, mesmo que isso levasse mais tempo. Nas aulas de reforço escolar o que eu e Luciana encontramos não foi muito diferente, ficou comum encontrarmos crianças da 5° série que não conseguem interpretar um texto, o que aumenta o nosso desafio. Apesar das dificuldades, tudo tem sido muito gratificante, uma experiência incrível, não tem como não nos envolvermos com as crianças, não tem com não amá-las.

Quanto aos trabalhos no Juá, estamos felizes, pois Deus tem dado graça e tem nos abençoado com muitos irmãos para auxiliar nos evangelismos, nas visitas, nos cultos e as reuniões com as mulheres tem crescido cada vez mais.

Hoje compreendemos o quanto somos privilegiados (outro aprendizado aqui), pois para todos os trabalhos distantes que não teríamos como ir, os irmãos nos buscam e nos deixam na porta de casa (isso é um privilégio), nossa casa está a 15 minutos do centro, o que facilita muito os acessos (outro privilégio), nosso aluguel tem um valor diferenciado do padrão do mercado, (privilégio), hoje trabalhamos de forma freelance, com certa liberdade de dias e horários (privilégio), nossa! Acho que poderíamos listar vários privilégios que Deus tem nos proporcionado, somos GRATOS e CONSTRANGIDOS com tanto ZÊLO, CUIDADO, GRAÇA e AMOR não merecidos, dispensados pelo PAI a nós.

Terminamos o ano de 2011, com o sentimento de dever cumprido, mas conscientes de que é só o começo, agora em março de 2012 daremos continuidade a estes trabalhos, há também outros desafios surgindo, irei compartilha-los em uma próxima oportunidade.

Peço que orem para que nesse ano possamos receber de Deus uma estratégia para realizarmos um evangelismo de forma efetiva com os meninos e meninas dos projetos sociais; pelas mães e crianças na Vila Cipó; pelas congregações implantadas nas áreas rurais, sobre tudo, pelos irmãos e irmãs do Juá; pela igreja no bairro José Carlos de Oliveira; pelos pr. Sérvulo, sua esposa Luciana e seu filho Gabriel; pelo ev. Fabio e sua esposa Marcela; pelo Projeto Macedônia seus missionários parceiros e também por nós, para que estejamos atentos ao que Deus deseja de nós, e que possamos a cada dia caminhar em obediência (com alegria), submissão (com fé) e amor (sincero).

Espero ter passado para vocês um pouco do nosso primeiro período aqui, espero no próximo compartilhar com vocês outras tantas bênçãos e aprendizados dessa nossa temporada e caminhada em Caruaru.

Somos gratos a Deus pelas privações, provisões e privilégios por tantas bênçãos que nem sei contar.

Nós te agradecemos Senhor.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Tudo o que eu tenho é Cristo - Animação - Sovereign Grace

2012 já está em alta velocidade e só agora é que surge a primeira postagem do ano.

Não podia deixar de compartilhar esse belíssimo video abaixo, que mostra uma linda história de entrega total de vida a Cristo.

"Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro."
[Filipenses 1:21] 
 

sábado, 5 de novembro de 2011

Aniversário da Lívia

Hoje minha linda mulher alcançou o primeiro degrau do início da maturidade: 30 anos.

Chegar aos 30 se torna bem complicado para os que possuem pendências. Chegar aos 30 se torna um tanto quanto "nublado" se as expectativas das pessoas estiverem muito além da sua atual realidade.

Lembro-me que aos 15, eu fazia mil projeções de como eu estaria e de como eu seria aos 30. (risos) Confesso que só realizei uma: Casar com uma linda mulher, boa, inteligente, sábia, bem humorada, honesta, idônea, de bom caráter, trabalhadora, decente, temente a Deus, atenciosa, cuidadosa, querida, prendada e sobre tudo, amorosa!

Com certeza, a Lívia ao chegar aos 30, também carrega frustrações e ainda observa o horizonte idealizado ao longe, bem distante. Com certeza, em seu coração existem muitos sonhos e desejos a serem realizados. A verdade é: Nós nunca estaremos satisfeitos por completo, porque nunca estaremos plenos. Há em nós, em nossas relações, profissões, enfim, em nossas vidas, sempre algo a ser melhorado.

O que posso dizer é que a minha linda trintona com carinha de 25 já tinha a maturidade dos 30 desde antes de nos casarmos. Desde o matrimônio venho aprendendo com ela sobre diversas coisas, sobre tudo: como ser família e como ser igreja. 

Hoje projetamos sonhos juntos. Os sonhos dela, são os meus sonhos. Hoje, me preocupo mais com a felicidade dela do que com a minha, e isso não é um pensamento de "submissão romântica" ou algo do tipo, mas sim, um sentimento de doação gerado em amor, o qual aprendi com ela e com o nosso Mestre e Senhor Jesus.

Bem-vinda aos 30 meu amor! Acredite, com mais sorrisos do que lágrimas! Acredite, chegou aqui linda e amada! Acredite, chegou aqui INTEIRA! Chegou aqui mulher!!!

Me alegro em ser seu esposo, me alegro em te amar e por ti ser amado! Amo-te!

Foto do almoço de aniversário, saboreando um filé de bode!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Conhecendo a si em Deus para poder respeitar o outro em Deus - 1 ano de Caruaru

Dia 15 de agosto fez um ano que iniciamos nossa jornada de aprendizado em Caruaru.

Ao longo desse ano, mesmo percebendo que existe muito percurso a ser trilhado, nós percebemos também que algumas verdades preciosas já nos foram reveladas pelo Pai. 

Uma delas é que devemos sempre manter o foco no que fomos chamados por Deus a fazer. Tão difícil quanto obedecer a voz do Pai é manter a direção apenas no que Ele nos diz. É justamente por querermos incremetar a ordenança do Espírito Santo que nos perdemos no processo e fazemos da missão um fardo e, consequentemente, um fracasso.

Ao virmos para Caruaru, a única direção que entendemos da parte do Senhor foi: Vão para aprender. Por isso, estamos tentando nos manter nesse "lado da pista" apenas, mesmo que muitos não entendam, mesmo que muitos esperassem de nós mais participação (até em questões que distoam do nosso chamado). A nossa consciência e fé caminham de forma firme, calando de nossas mentes as demais vozes para que só haja espaço de reverbero para a Voz da Verdade.

Sendo honestos com nós mesmos, quando o Senhor nos falou em aprendizado, só tivemos a definição do lugar, Caruaru - PE. Não nos foi permitido discernir nem sequer com quem aprenderíamos, apesar de que em nossas mentes, já tínhamos definidos os agentes desse labor. E, mesmo que tenha sido com a melhor das intenções de nossos corações, pecamos ao definirmos para nós, questões que o nosso Senhor tinha deixado em aberto, pois de fato, através dEle, estamos aprendendo com tudo e com todos. Ao caminhar junto, ao observar de perto e de longe e até ao discordar.

Um dos grandes aprendizados que temos tido é o de entendermos quem somos e para o que fomos chamados. Eu, desde criança, sempre tive os olhos voltados para questões sociais e desigualdades em geral, e por isso, ao adentrar nas fileiras evangélicas, esperava e cobrava um posicionamento mais social por parte da igreja. A Lívia tem dentro de si, todas as características maternais que uma boa mãe deve ter, consequentemente, seu chamado pastoral é gritante e transbordante, o que a faz ser observadora quanto aos pastores que não exercem o pastoreio devidamente. Essa cobrança sempre foi um fator de conflito dentro de nós, pois assim como os demais, esperavamos que todos se identificassem com o nosso chamado e que também fizessem dele sua prioridade. Hoje entendemos que esta cobrança, da nossa parte, além de infantil era fruto de um total desconhecimento pessoal, o que nos levava ao desconhecimento do outro. Pois da mesma forma que nós cobravamos certas posturas, eramos cobrados para atuar em questões que não só não tinhamos talento ou dom, mas também, questões que eram conduzidas de maneira que discordavamos absurdamente.

O descobrimento de quem se é em Deus e para o que foi chamado na obra dEle é libertador, pois o excesso de trabalho deixa de ser um peso quando exercido dentro dos seus dons e talentos e por consequência, ao percebermos para que o outro foi chamado, aprendemos a não cobrar dele uma aptdão que não lhe é natural. Ora, o que é a igreja senão o corpo de Cristo onde os diversos membros executam funções específicas e diversas?! O entendimento não mais é o de apontar as faltas de determinados pastores, mas sim, de preencher as lacunas deixadas por estes, cooperando para a boa obra de Deus.

De certo que há questões pertencentes a todos os cristãos. De certo também, que existem afazeres que podem e devem ser aprendidos durante a sua jornada na terra em prol do Reino de Deus, contudo, ao olharmos para um irmão transbordante do dom da caridade e se o deixarmos livre para o exercício desse ministério, sem cobra-lo de deveres burocráticos, deixando esses deveres ao encargo de quem tem mais preparo e desenvoltura e da mesma forma que, se esse irmão sendo um líder na igreja, tiver a humildade de se reconhecer inapto e delegar tais atividades para outros mais competentes, estaríamos fazendo uma excelente leitura do bom exercício das diversas funções na igreja.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A igreja contribuindo com a formação integral do ser humano

Uma das manifestações do Reino de Deus na terra deve ser a equidade social e a igualdade de oportunidades entre todas as camadas da sociedade. Para experimentarmos tal realidade, é necessário no mínimo, que todos tenham acesso aos mesmos recursos de aprendizado.

Crianças e adolescentes da primeira turma de inclusão digital

O conhecimento em informática é um grande instrumento nessa caminhada para o equilíbrio de perspectivas. A Igreja pode e deve entrepor-se nesta lacuna, auxiliando a comunidade que a cerca, servindo-a com os instrumentos necessários.

Um bom exemplo disso é o que está acontecendo na periferia da cidade de Caruaru – PE, no bairro José Carlos de Oliveira. Uma pequena igreja, da denominação Igreja de Deus no Brasil, separou um espaço e duas máquinas, onde aos sábados, está sendo ministrado um curso básico de informática para os congregados e aberto também para a comunidade.

O projeto tem co-parceiria com a Missão Coração Nordestino, que além de ter emprestado mais 4 máquinas para as aulas, fez o contato conosco do Projeto Macedônia, para assumirmos a ministração das aulas.

Esse projeto trás alguns "efeitos colaterais" muito benéficos para o relacionamento da igreja com a comunidade, dentre eles, a quebra de estereótipos e preconceitos existentes, o que permite uma maior aproximação e empatia com as pessoas. Outro fator positivo e não previsto que ocorreu, foi a doação espontânea de lanche para os alunos por parte de um empresário local, que mesmo não fazendo parte da igreja quis colaborar.

O trabalho conta ainda, com a impressão gratuita de todas as apostilas, impressas pelo Fabio, um dos idealizadores do projeto e também professor, membro da Missão Coração Nordestino.

O curso está sendo ministrado para aproximadamente 30 alunos, divididos em duas turmas. A quantidade de computador ainda é pouca, e por isso, temos que colocar mais de 2 alunos por máquina.

Contentes com a obra que o Senhor nos designou, continuamos sabendo que este mínimo que estamos fazendo, será multiplicado pelo graça infinita do Senhor.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Bodas de Madeira - 5 anos de casamento!

Hoje eu a linda Lívia estamos celebrando as Bodas de Madeira do nosso matrimônio, completando 5 anos de casados

As pessoas acreditam que estar em silêncio com outra pessoa é uma das coisas mais constrangedoras que existe. Elas estão certas, estar em silêncio requer um nível muito grande de intimidade, cumplicidade e compreensão do outro.

Depois desses 5 anos, regozijo-me em lembrar dos momentos em que ficamos lado a lado em silêncio. Sabendo-se, um ao outro, sem a necessidade de palavras. Não, isto não quer dizer que não conversemos, não só conversamos, como até discutimos (no sentido de debater, brigar NUNCA), (quase) o tempo todo, (quase) sobre tudo e (quase) sobre todos. (risos) 

Temos conversas simples e filosóficas, conversas engraçadas e conversas tristes, conversas sérias e produtivas, como também, "falamos muita abobrinha" um com o outro. Toda essa afinidade é conquistada através do nosso bom relacionamento e com o respeito, admiração e amor que temos um pelo outro. 

Mas tudo isso, pode ser obtido também com grandes amigos, que é uma das coisas que somos, além de grandes parceiros e únicos amantes. Agora, o silêncio... Ahh o silêncio.. tem que ter muita intimidade para poder ficar calado ao lado de alguém e mesmo assim, não sentir-se sozinho ou desconfortável. É necessário conhecer a pessoa de tal forma, onde um simples suspiro já te comunique algo. Não estou me referindo ao ato físico de ficar em silêncio com alguém, como muitos fazem numa sala de espera, estou me referindo a estar em silêncio com alguém, de fato, estando com esse alguém, sabendo-o. (ficou meio louco isso agora não é?! risos)

Almoçando um bode guisado no Chalé do bode para comemorar!! Delícia!

Princesa, sou grato a Deus por todos os momentos, sorrisos, olhares e palavras, e também, pelo silêncio que não constrange, mas que apenas ecoa a minha fala de hoje:

AMO-TE!

Banda Alva - Livres

Sonzeira!! Rock n' Roll da pesada.. só pra quem curte!!!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Voluntariado Cristão com a família do Velejando com Deus no Projeto Macedônia

Convido a todos para assistirem o video abaixo que mostra parte do trabalho realizado por Rafael e Mariana Reis (Projeto Macedônia), juntamente com Marcio, Daniela e o pequeno Gabriel Nunciaroni (Velejando com Deus). O video mostra cenas do belíssimo trabalho que esses queridos do Senhor, realizaram nesses dias em parte do nordeste brasileiro. 


O voluntariado deles é definido pela realização do trabalho feito de boa vontade e sem interesses, sendo remunerado apenas com os benefícios à alma proporcionados pela conjugação dos verbos dar doar, principalmente, quando o sujeito do segundo verbo é também o objeto da ação, possibilitando ao mesmo doar-se. Doar-se em tempo, atenção e carinho ao próximo, servindo-o em suas necessidades, inclusive financeiras, gera nos benfeitores satisfações e sentimentos experimentados por todos aqueles que entenderam um dos ensinamentos de Jesus Cristo, que nos diz que na caminhada da vida é melhor dar do que receber, melhor ainda, quando damos àqueles que não têm como nos retribuir, pois o pagamento dessa doação será feita numa dimensão onde os sorrisos gerados são convertidos em tesouros que não podem ser roubados ou deteriorados, muito menos, desvalorizados por meio de reações inflacionárias ou qualquer outra agrura da economia atual.

O voluntariado cristão deveria estar presente na vida de todo aquele que se converte aos caminhos de Cristo. Nos dias de hoje, infelizmente, vemos o serviço voluntário sendo realizado com mais frequência apenas por alguns cristãos, os quais geralmente, já estão em um campo missionário ou em atividades constantes em suas comunidades e congregações. Temos que entender que algumas atividades são da competência de todos. Não devemos mais nos contentar com as balas e brinquedos distribuídos no dia das crianças e no Natal. Temos que fazer do suprimento das necessidades dos menos favorecidos e da pregação do Evangelho, atos comuns do nosso cotidiano.

Contudo, o trabalho é de formiguinha mesmo! Pequenos gestos como: Sorrisos trocados e olhares que se enxergam; Palestras em escolas; Instruções de higienização bucal; Escolinhas de futebol; Aulas de reforço escolar; Inclusão digital. E claro, o simples e puro anúncio do Evangelho. Atuando de forma singela, alcançando um-a-um, proporcionando encontros e conexões com as pessoas, apresentando em atos de amor a divina história de redenção que nos motiva e encoraja: A salvação da humanidade através do filho de Deus.

Seja também uma pessoa atuante onde você está! Não por ativismo, mas sim, por devoção e amor. Auxilie com seus 5 minutos ou com seus 5 tostões, não importa a forma ou o modelo, apenas entenda em Deus o(s) seu(s) talento(s) e compartilhe-o(s) com os "menores" que você (os que precisam). Não se preocupe com o tamanho e o alcance das suas obras, apenas faça. Cabe a Deus que é infinito, multiplicar os seus atos feitos nEle e por Ele.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Enxergar o outro, enxergando-se nele.


O Senhor Jesus nos ensina a primeiro sanarmos nossos machucados para assim, com uma melhor condição adquirida através do tratamento e testemunho, auxiliarmos aos que caminham com suas feridas abertas. A psicologia ensina que os defeitos que detectamos no outro, que também estão alocados em nós, sejam eles já subjugados ou não, vencidos ou não, ou apenas controlados ou não, são os que mais despertam sentimentos e inquietações. 

Ao vermos o próximo caindo em tentações que não nos atormentam mais, temos um ímpeto natural de sacudir-lhe e apontar-lhe os “tijolos amarelos” que pisamos para o escape, para que com isso, ele possa seguir o mesmo trajeto de restauração. Esse tipo de resgate tende a se tornar frustrado, principalmente, por que ignora a interpretação pessoal do outro sobre o problema apontado e o desfecho a que ele se destina.

Nem sempre, nos compete elencar as falhas alheias. Há casos, e penso eu que são a maioria, que a melhor condução é apenas apresentar ao individuo o caminho para o espelho, servindo, se muito, apenas de uma suave luz de candeia que possibilita uma melhor visualização no processo de uma autoanálise, através do testemunho do nosso caminho transpassado.

Esse tipo de ajuda inibe o rebater do outro quando este se sente criticado e numa tentativa de revide e ou defesa, contra ataca apontando os defeitos que o ajudador ainda não venceu. E com isso, invalida para si o conselho e a palavra de orientação.

Os profetas desta geração que me perdoem, mas o levantar de vozes sem as lágrimas, sem o pesar, sem o compadecer, sem o amor e principalmente, sem a percepção clara de que somos todos feitos do mesmo barro, atua apenas como um efêmero agitar de águas, que só serve para afastar os peixes da rede.

Cristo, sendo divino, mesmo em vestes de carne como nós, não conheceu o erro, o pecado ou a imperfeição. Por isso, não tinha que trabalhar com tais cuidados, mas mesmo assim, não usava de sua condição para esbofetear as pessoas com a exposição de seus pecados, apesar de seus discursos terem sempre o verbo arrepender como um dos principais protagonistas.

Mais que humildade, vejo isso como sabedoria. Sim, uma vez que a principal intenção de expor falhas é para que as mesmas sejam revistas em arrependimento e transformação, procurar apresenta-las em amor é a melhor alternativa para uma possível conversão.

Vejo também, mesmo que sendo apenas uma conjectura pessoal, que Cristo enxergava-se nas pessoas. Ao ver as pessoas, Cristo enxergava o amor do Pai por elas, e com isso, enxergava a Si mesmo, pois Ele próprio é a maior manifestação do Amor de Deus para com toda a criação.

O exercício que proponho então é este: Enxergar-nos ao enxergarmos o próximo. É ver-nos pequeninos todas as vezes que vermos o próximo sofrer por coisas banais; É ver-nos imperfeitos todas as vezes que vermos as falhas do próximo; É ver-nos corrompidos todas as vezes que vermos a corrupção no próximo. 

Este não é um exercício de apropriação de falhas alheias, tampouco de covardia ou cumplicidade permissiva. Este é um exercício de amor. Semelhante e não igual, ao de Cristo quando desceu o abismo de degraus necessários para usar as vestes humanas, nos mostrando quais tijolos da estrada não afundam, deixando pegadas de luz que atravessam os séculos até hoje, que nos guiam para o caminho da salvação. Neste caso, Jesus, o perfeito salvador, se igualou aos imperfeitos para o cumprimento do processo da redenção destes. O que proponho é  que os imperfeitos se reconheçam como tal, observando-se nas imperfeições do outro, distanciando-se da tentação do julgamento e exonerando-se do exercício indevido de fiscais e delegados de Deus.

Ao nos enxergarmos nos pecados do próximo, seremos movidos a ama-lo e ajuda-lo. Não com dedos erguidos à sua fronte, mas sim, exibindo nossas cicatrizes e feridas que ainda estão abertas. Propondo um caminho de parceria, onde possamos ser enfermeiros uns dos outros, conforme as prescrições do único médico: Jesus Cristo.

Enxergar-se enxergando o outro, seja o outro quem for.

Será que conseguiremos nos enxergar em todos os seres humanos? Nos que vivem ou não à margem da sociedade? Será que conseguiremos nos enxergar nas garotas e garotos de programa? Nos evangélicos? Nos travestis? Nos católicos? Nos corruptos? Nos pastores? Nos hereges? Nos ateus? Nos padres? Nos assassinos? Nos bandidos? Nos Ladrões? Nos religiosos? Nos Espíritas? Nos umbandistas? Nos falsos mestres? Nos muçulmanos? Nos adúlteros? Nos deficientes? Nos sãos? Nos presidiários? Nos militares? ... etc?

sábado, 21 de maio de 2011

O encontro de Lampião e Virgil Frank Smith


Virgil Frank Smith, foi um jovem missionário americano que em setembro de 1927, com 25 anos de idade, chegou ao Brasil, na cidade de Recife/PE. Algo muito interessante foi relatado em sua biografia, parte de seu diário relata:

Quando Lampião soube que Mata Grande (Alagoas) estava sem policiamento, foi para lá. Eu, calmamente, saí com o carro para experimentar os cavalos. Quando estávamos a uns três quilômetros da cidade, fomos cercados por um grupo de homens de Lampião, que nos fez parar e exigiu 500 contos de réis. Como não tínhamos nem um vintém no bolso, determinaram que mandássemos buscar na cidade. Eu tentei convencê-los de que não tínhamos dinheiro, mas eles nos ameaçaram dizendo para minha esposa: "Esse é seu marido? Você quer conservá-lo? Então convença-o de escrever o bilhete." E por isso, escrevi um bilhete ao irmão Boyer (Orlando Boyer , autor do Livro Heróis da Fé, foi também missionário no nordeste brasileiro), que estava na cidade, com a seguinte: "Fui preso por Lampião na fazenda dos Maltas, ele exige 500 contos de réis. Não mande nada sem antes consultar a Deus."

A esta altura o grupo de bandidos nos havia levado a vinte e cinco quilômetros a frente, onde o próprio Lampião estava escondido. Enquanto o moço foi até a cidade levando o bilhete, Lampião veio e começou a falar comigo. E na conversa eu mostrei a ele que eu era um anunciador de Jesus, que o amava. Lampião me ouviu com atenção e aceitou alguns folhetos que eu carregava sempre comigo, prometendo que os leria.

Ao receber o bilhete, Boyer, depois de orar, juntou num saquinho de sal um punhado de moedas, níqueis, e uma notinha de 100 réis, que mandou com a seguinte informação: "Ai vai tudo o que tenho, até o dinheiro das crianças. Sinto muito, mas não tenho mais." Lampião tirou a notinha de dentro do saquinho e devolveu o restante dizendo: "Tome, não sou cego para pegar moedas. Como o dinheiro é pouco vou pegar seus cavalos." E, montando nos cavalos saíram nos deixando com mais de umas vinte pessoas, que também tinham ali ficado. Para nós, foi um gozo, voltar todo aquele caminho a pé, cantando e falando de Jesus para aqueles que iam conosco.
[SMITH, 1990, p. 16-17]

Fonte texto: Projeto Macedônia
Fonte imagem: Julio Carvalho


[Reverberado]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Madre Teresa de Calcutá comentada no Papo de Graça

Hoje é uma data festiva e contemplativa, pelo menos pra mim, há 32 anos atrás dei meu primeiro choro. Hoje é dia de agradecer ao Senhor pelas boas dádivas que tem me dado.
Aproveito então, para postar um video de uma porção do programa Papo de Graça, da Vem & Vê TV, sobre um documentário da vida de Madre Teresa de Calcutá. Uma mulher que tem ensinado à humanidade a como servir a Cristo através do serviço ao próximo. Recomendo, de coração, a todos que chegaram até a este post para que vejam o video abaixo.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O meu direito começa quando o seu acaba! Será?!

O meu direito acaba quando o seu começa.

Inverti propositalmente a frase acima, no título dessa postagem, para refletirmos sobre o nosso direito individual sob a ótica de Cristo. Para tal, entendo que devemos, primeiramente, atentarmos sobre quais são os nossos deveres enquanto cristãos.

Ao revermos algumas falas de Jesus, percebemos que apesar de sua pregação percorrer vários temas como: Libertação, Paz, Verdade, Justiça, Cura, Salvação, Amor e Vida; Tudo corrobora para exortação ao arrependimento e a conversão dos nossos maus caminhos, devido a vinda do Reino de Deus.

Uma "dificuldade" em ser discípulo de Jesus, é não ter o subterfúgio da falta do exemplo prático. Jesus não ensinava apenas em palavras, mas em todas as suas ações e reações, em cada passo de amor, perdão e compaixão que ele dava em direção das pessoas. Por isso, ser um seguidor de Jesus de Nazaré, é submeter-se a uma nova normativa de conduta de vida, no proceder e no entendimento, é ter que viver a vida de uma forma nova, tão diferente da forma antiga, que se faz necessário nascer de novo. Os deveres dos cristãos por tanto, são o de ouvir e guardar as palavras do Cristo, reproduzindo-as em fé e ações no cotidiano do relacionamento com o próximo.

Jesus Cristo nos ensina a relermos as escrituras sob a ótica dele. Ele resume toda a interpretação da Lei e dos Profetas na vivência de dois mandamentos que possuem o Amor como verbo e Deus e as pessoas como alvos. Jesus fala que devemos amar a Deus sobre todas as coisas com todo o nosso ser; Ele nos diz para amarmos ao próximo como a nós mesmos. Isso porque ao termos êxito nessas duas santas ordenanças, não cometeremos falhas uns com os outros e nem para com o Pai Celeste. E ainda antes de ser preso e crucificado, ele nos deixa um novo mandamento, que também possui o Amor como cerne, mas com uma diferenciação dos demais: Amem uns aos outros como EU os amei.

Percebamos que a principal diferença entre este novo mandamento e o mandamento de amar ao próximo é a referência de quem ama. Antes, Jesus confirma que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, conforme está escrito na Lei, e com isso, devemos fazer ao próximo tudo aquilo que gostaríamos que fosse feito conosco. Quando Jesus substitui a referência de quem ama, de nós para ele próprio, ele eleva essa ação a um nível ainda não experimentado pelas pessoas.

Para ajudar mais no entendimento desse amor, podemos conferir o que está escrito no capítulo 53 do livro de Isaías. Lá, o profeta relata o que iria ocorrer ao Messias: Um justo, sem pecado, iria carregar o peso das transgressões da humanidade. Lá é relatado, como um inocente seria castigado em dor e sofrimento para a expiação dos pecados alheios. Lá ainda diz, que ele também intercederia ao Pai, em favor dos culpados. O Cristo padeceu por nossos pecados e através de suas feridas fomos sarados.

Cristo, ao dar o novo mandamento, sugere que devemos amar como ele amou, incondicionalmente, e se preciso for, dar a vida uns pelos outros. Ele sugere que este amor, deva ser dirigido até para aqueles que nos ofendem, perseguem, agridem e desonrem. Ele retira todos os termos condicionais de quem deva ser alvo desse amor. Ao entendermos a dimensão desse novo mandamento, percebemos o quão difícil é beber desse cálice!

Me pergunto mediante a esses deveres quase impraticáveis e quase inexequíveis, o que fazer? Como proceder debaixo de uma conduta cristã depois de perceber essa impossibilidade? Como dormir com um barulho desses? Ora, a resposta é paradoxalmente tão simples quanto complexa. É simples pois é uma só: NÃO FAÇO NADA! Não depende de mim! Preciso reconhecer que essa virtude vem de Deus e preciso despencar nos seus braços de amor, clamando por compaixão por todas as almas viventes; E é complexa porque: TEMOS QUE EXERCITAR ISSO TODOS OS SEGUNDOS DE NOSSAS VIDAS! Com todas as pessoas, em todas as situações. Não é algo que simplesmente, fazemos uma vez e estaremos prontíssimos para todas as outras ocorrências. É algo que é sofrível todas as vezes que é exigido.

Não há nada que possamos fazer sem a Graça do Senhor nosso Deus. Dependemos do seu Espírito Santo para alcançarmos a plenitude do dom do Amor. Precisamos, de fato crer em Jesus Cristo para submetermos nossa carne e mente ao exercício diário desse tipo de amor. Precisamos praticar todos os dias, mesmo sabendo da alta probabilidade de falharmos nessa tentativa.

Paulo nos ensina, que assim como Cristo não agradou a si mesmo por amor de nós, devemos suportar a fraqueza de entendimento de alguns, abdicando de questões e não agradando a nós mesmos. Paulo sugere ainda, que por conta desse amor, devemos deixar de fazer coisas que não nos condenam e até nos são por direito, quando as mesmas, levarem o nosso próximo ao tropeço, enfraquecimento ou escândalo. Paulo entendeu, que amar como Cristo amou, é antes de tudo se anular, abdicar de seus direitos, tomando para si apenas os deveres ensinados por Jesus. O próprio Cristo se anulou, se despindo de sua divindade para nos mostrar o caminho de volta ao Pai.

As palavras de Jesus atravessam a esfera do aconselhamento até a posição da ordenança. Ouvir suas palavras, guarda-las e vivê-las é o dever de cada cristão. O ensino de Jesus é como a receita de um remédio dada por um médico, não é prudente ignora-lo.

Concluo aqui esse post, acreditando que o cristão tem o direito de cumprir o dever de amar ao próximo como Cristo o amou. O que estiver acima disso pode até ser consciência política, amor próprio ou direito constitucional, mas não tem nada a ver com Reino de Deus!

Minha esposa está se formando em serviço social, eu sou a favor da distribuição de renda, da equidade social e da defesa dos direitos dos cidadãos, contudo, esse papel de cobrança de direitos deve ser exercido em relação ao Estado e na defesa da população empobrecida ou dos trabalhadores explorados. Não acredito que o nosso papel para com o próximo deva ser de cobrança de direitos uns com os outros. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

O Evangelho segundo o twitter

Seguindo a mesma linha de um video já postado aqui, sobre a história do Natal contada via Google, Gmail e Facebook, segue um novo video com a narração do Evangelho feita através do Twitter. 

O video é muito criativo e bem bolado, bem oportuno para esta semana que é celebrada a Paixão de Cristo.